quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Bibliotech: a primeira biblioteca pública dos EUA sem livros impressos


Para quem não tem acesso à rede, pode visitar a sede física da Bibliotech
Foto: Divulgação



A primeira biblioteca pública totalmente digital dos EUA foi aberta recentemente no condado de Bexar County, no estado do Texas. Agora, todos os 1,7 milhões de habitantes da região podem acessar gratuitamente o acervo com cerca de 10 mil obras. Melhor, para ter acesso aos livros não é necessário se locomover até o prédio físico da biblioteca, basta acessar a internet.

O projeto Bibliotech foi desenvolvido pelo juiz Nelson Wolff, um amante da literatura e colecionador de obras raras, também responsável por levar ao condado uma biblioteca com livros impressos de US$ 38 milhões na década de 1990. A nova empreitada custou apenas US$ 2,4 milhões.

- Eu olho hoje para aquela biblioteca e fico orgulhoso, mas penso: o que vamos fazer com ela? - disse Wolff sobre sua antiga obra, em entrevista ao site CNet.

O prédio físico da Bibliotech se localiza na cidade de San Antonio. Para funcionar durante 8 horas diárias, a biblioteca tem apenas duas funcionárias, as jovens Ashley Eklof e Catarina Velasquez.

- Nós podemos focar nas necessidades da comunidade e não temos que lidar com os processos físicos dos livros – explicou Ashley.

Para ter acesso ao acervo, os moradores do condado podem se registrar on-line e baixar os títulos em seus próprios tablets e computadores. Caso a pessoa não tenha acesso à internet ou precise de leitores, pode se dirigir à sede física da biblioteca.

Estão à disposição da população 800 e-readers, sendo 200 especiais para crianças, 48 computadores, 10 laptops e 40 tablets. Os leitores podem ser emprestados por duas semanas e eles já vão carregados com as obras escolhidas. Caso não sejam devolvidos no prazo, o usuário recebe multa diária de US$ 1 até o 14º dia. A partir de então, o aparelho é dado como perdido e a multa de US$ 150 é adicionada à conta.

A duração do empréstimo dos livros digitais é de 14 dias, mesmo que baixados no leitor próprio do usuário. A partir desse período, a obra é excluída do software utilizado para a distribuição e leitura.

Leia mais sobre esse assunto em O Globo Tecnologia

domingo, 24 de novembro de 2013

Professor faz dicionário ouvindo crianças

Texto por Fabio Brizolla

Na biblioteca de uma escola do Complexo da Maré, conjunto de favelas na zona norte do Rio, o professor colombiano Javier Naranjo sorteia temas para os 16 alunos presentes na sala de aula, com idade entre 7 e 12 anos.

A tarefa de cada um dos jovens consiste em traduzir o significado de palavras previamente selecionadas, sejam as conotações positivas ou negativas.

Para um deles, "político" é o mesmo que corrupto.

"Solidariedade" é o equivalente a "ser gentil".

Ao falar sobre "paz", uma menina afirma ser algo que ela não tem no sábado à noite por causa do barulho provocado pelo baile funk que fica perto de sua casa.

INÍCIO

Naranjo, 57, observa, fascinado, cada uma das definições das crianças da Maré.

O professor veio ao Brasil para lançar o livro "Casa das Estrelas: o universo contado pelas crianças", uma espécie de dicionário elaborado sob a ótica infantil.

O livro surgiu nas conversas do autor em sala de aula, nos moldes do encontro promovido na quinta-feira no Complexo da Maré.

Professor de escolas situadas em zonas rurais da Colômbia, Naranjo reuniu ao longo de dez anos 500 definições para 133 palavras, muitas delas redescobertas por um olhar poético das crianças --seus alunos.

Amor e violência

"Amor", na visão de uma colombiana de 6 anos, é "o que cada coração reúne para dar a alguém".

"Violência" é definida por uma aluna de 7 anos como "a parte ruim da paz".

O que despertou a atenção de Naranjo para o que acabou se transformando em um livro foi uma conversa em sala de aula, em 1988.

Ao definir a palavra "criança", uma de suas alunas afirmou ser alguém que "tem ossos, tem olhos, tem nariz, tem boca, caminha e come, não toma rum e vai dormir mais cedo".

A partir daquele dia, o professor começou a levar para suas aulas um gravador com fita cassete.
poesia

"Percebi que existia um mundo a ser descoberto, repleto de poesia e também de aspectos sombrios", afirma o professor colombiano.

"Não tinha em mente o que fazer com os depoimentos, mas sentia necessidade de gravar aquilo por ser um conteúdo surpreendente e emocionante", diz ele.

"Casa das Estrelas", definição de universo de acordo com uma das crianças, passou a ser o nome do livro, lançado em 1999, sem muita repercussão na época.

Na reedição em 2013, porém, o dicionário de Naranjo conquistou o público.

Os registros dos estudantes do Complexo da Maré serão utilizados no próximo livro do autor.

O projeto, batizado pelo professor de "As Crianças Pensam a Paz", vai reunir depoimentos de pequenos estudantes em cinco países: Colômbia, Brasil, Argentina, Chile e Estados Unidos.

Texto disponível na Folha S.Paulo

Biblioteca Nacional cancela prêmio após 1 ano de atraso

A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) cancelou ontem o edital de 2012 do Prêmio Vivaleitura, que estipulava o pagamento de um total de R$ 540 mil a 18 escolas, bibliotecas e ONGs responsáveis por projetos bem-sucedidos de incentivo à leitura.

Há 11 meses, 45 instituições anunciadas como finalistas concorriam a esses 18 prêmios, de R$ 30 mil cada um.

Nesse período, os responsáveis pelos 45 projetos foram convocados e desconvocados três vezes para a cerimônia de entrega, que aconteceria em um hotel em Brasília.

Segundo a pedagoga Dinorá Couto Cançado, finalista pelo projeto "Luz e Autor em Braille", para inclusão de cegos por meio da leitura, em Taguatinga (DF), a indefinição causou transtornos.

"Da primeira vez que marcaram o evento, eu ia iniciar um tratamento de saúde e adiei para não perder a cerimônia. Foram vários adiamentos até eu parar de receber notícias", ela disse.

Ontem, os finalistas receberam e-mails da Biblioteca Nacional informando que o prêmio foi anulado "em função de sua ilegalidade".

O argumento é que a portaria que instituiu o prêmio, de 2005, determinava que não poderiam ser aplicados à premiação "quaisquer recursos orçamentários de contrapartida da União", enquanto o edital de 2012 previa como fonte de recursos o Fundo Nacional de Cultura, mecanismo de financiamento do Ministério da Cultura.

Criado em 2005 numa parceria entre o governo federal e a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), o prêmio só poderia ocorrer mediante patrocínio.

Foi assim até 2011, quando a espanhola Fundação Santilliana avisou que não mais arcaria com as despesas.

Mas em 2012 a Fundação Biblioteca Nacional decidiu manter e ampliar a premiação, que passou de R$ 90 mil (R$ 30 mil para três vencedores) a R$ 540 mil (R$ 30 mil para 18 instituições).

Galeno Amorim, presidente da FBN na ocasião, informa que não só havia verba (que seria paga via convênio com a Universidade de Brasília, usando recursos do MinC) como respaldo para o uso do Fundo Nacional de Cultura.

Isso seria possível devido ao decreto 7.559/2011, que estipulava que o MinC e o MEC criariam novas regras para o Vivaleitura. Esse decreto, diz Galeno, permitiria a criação de nova portaria autorizando o uso de verbas federais.

O atual presidente da FBN, Renato Lessa, diz que uma nova portaria não poderia ter efeito retroativo, não podendo, portanto, reger um edital já publicado.

O Ministério da Cultura informa que haverá novo edital para o prêmio em 2014.

Texto de Raquel Cozer, disponível na Folha de S.Paulo

sábado, 23 de novembro de 2013

A falta de Biografias sobre presidentes

Um dia, saberemos...

John Kennedy, cujos 50 anos de morte aconteceram ontem, só perde, em número de livros a seu respeito, para Jesus Cristo, Napoleão, Hitler e, talvez, Marilyn Monroe e os Beatles. Fala-se em mais de 40 mil títulos sobre sua vida, seu governo (1961-1963) e sua época. Mesmo que tenham errado nos zeros e a verdade esteja em torno de 4.000, ainda é muito livro sobre uma só pessoa.

Se Kennedy tivesse sobrevivido e se reelegesse, sairia da Casa Branca em 1968 e logo publicaria suas memórias da Presidência --o que não o livraria de ter sua vida pessoal e política esquadrinhada por biógrafos, jornalistas e ensaístas. Foi assim com Roosevelt, Truman, Eisenhower, Johnson, Nixon, Carter, Reagan, Clinton e os Bush pai e filho. Entre na Amazon e morra de inveja: há dezenas de livros em inglês sobre cada um.

No Brasil, estamos longe dessa tradição de escrever sobre presidentes. Há uma considerável bibliografia sobre Getúlio e Juscelino, uma ou duas biografias de Jango e Castello Branco e livros bobos, de "causos", sobre Jânio. Mas onde estão as biografias de Dutra, Café Filho, Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo, Tancredo?

Grande parte da história moderna do Brasil permanece em arquivos, gavetas ou memórias, estas em processo de apagamento parcial ou definitivo. Apenas na área das ciências, Oswaldo Cruz, Rondon e Anísio Teixeira já podem ter merecido biografias, mas, e as de Carlos Chagas, Roquette-Pinto, Vital Brazil, Josué de Castro e Mario Schenberg?

O mesmo na literatura. Conhecemos a obra, mas como foi a vida de Bandeira, Drummond, José Lins do Rego, Cecília Meireles ou Guimarães Rosa? Um dia, saberemos se, afinal, Mário de Andrade era gay ou não, e se não era só a Pauliceia que era desvairada. E se isso tinha qualquer importância. Nesse dia, teremos, quem sabe, chegado à maioridade.

Texto de Ruy Castro, disponível na Folha de S.Paulo

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Google lança YouTube Edu, plataforma educativa com 8.000 videoaulas gratuitas

 Google lançou nesta quinta-feira (21), em parceria com a Fundação Lemann, um canal no YouTube responsável por reunir conteúdos educacionais gratuitos e "de qualidade" em língua portuguesa.

Voltado para estudantes, educadores e colégios, o YouTube Edu conta com 8.000 vídeos produzidos por professores brasileiros de 26 canais. O Brasil foi o segundo país a receber a iniciativa, que já está presente nos Estados Unidos desde 2009.

Por enquanto, aqui no país, o foco são os alunos do ensino médio, que encontram a disposição aulas de biologia, física, língua portuguesa, matemática e química. Mas o Google diz que pretende incluir conteúdos dos ensinos fundamental e superior no futuro.

A fim de garantir a veracidade e a precisão das informações ensinadas, a Fundação Lemann convocou 16 professores para realizar um processo rigoroso de curadoria.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Aplicativo do Portal de Periódicos disponível para todos os usuários

Desde o dia 04 novembro, os usuários do Portal de Periódicos, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), podem baixar o aplicativo da biblioteca virtual para acessar os conteúdos assinados com os editores internacionais. O app do Portal de Periódicos está disponível para sistemas IOS e android, nas categorias Referência e Educação.

O aplicativo, desenvolvido pela Capes em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), permite o acesso remoto via Comunidade Acadêmica Federada (CAFe). É possível realizar buscas rápidas por assunto, periódico, base e livro, todos os tipos com a funcionalidade de autopreenchimento. O usuário ainda consegue navegar em websites referenciados pelos resultados de busca, além de ler e exportar os artigos em formato PDF.

O usuário acessa periódicos, referências bibliográficas com resumo, teses e dissertações, normas técnicas, livros, obras de referência, estatísticas, patentes, arquivos abertos e redes de e-prints. São inúmeras possibilidades de pesquisa dentro do universo científico oferecido de forma rápida e prática pelo aplicativo do Portal de Periódicos.

Clique aqui para acessar o aplicativo.

Portal de Periódicos da Capes

Criado em novembro de 2000 para democratizar o acesso ao conhecimento científico produzido internacionalmente, o Portal de Periódicos oferece acesso a mais de 36.000 títulos com texto completo, 130 bases referenciais, 11 bases exclusivas para patentes, mais de 250 mil e-books, além de normas técnicas, enciclopédias, estatísticas, conteúdo audiovisual e outros materiais.

O Portal de Periódicos da Capes ainda oferece conteúdo gratuito selecionado, como bases de livre acesso, periódicos nacionais com boa classificação no Programa Qualis-Capes, além dos resumos de teses e dissertações defendidas no país.

Fonte: Portal da Capes

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Anais do EDICIC 2013 e ISKO 2013

O CETAC.MEDIA, responsável pela organização do EDICIC 2013 e ISKO 2013, divulgou os anais dos respectivos eventos que acontecem nesse mês de novembro. Consulte os anais em: http://blogs.ua.pt/cetacmedia/editions/monographs/proceedings/

Fonte: De Olho na CI

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Arca das Letras completa 10 anos e tem agentes de leitura como chave para o sucesso

Jornal Dia a Dia - 12/11/13

O programa que incentiva e facilita o acesso à leitura no meio rural completa dez anos com a implantação de dez mil bibliotecas rurais. Responsáveis pelo estímulo à leitura, funcionamento e boa conservação dos móveis arca, os agentes de leitura são muito importantes para o sucesso do Programa Arca das Letras, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

É o agente quem incentiva a leitura em sua comunidade. Hoje, existem mais de 17 mil pessoas capacitadas pelo programa para exercer essa atividade. Segundo a coordenadora nacional do programa, Dione Ferreira, seu papel é movimentar a biblioteca nas comunidades. “Sem o agente de leitura acredito que não haveria tanto envolvimento da comunidade com os livros, com a leitura e os eventos culturais. Ele é esse elo, esse mediador que leva o livro e a leitura até o morador da comunidade”, destaca.

A coordenadora explica que antes da implantação das bibliotecas é feito um formulário de consulta comunitária para saber os livros de preferência dos moradores e quem eles gostariam que fosse o escolhido para a missão de agente de leitura. “É um levantamento do perfil cultural da comunidade Nessa reunião eles já indicam dois voluntários, que são os agentes de leitura que vão atuar na biblioteca”, afirma.

Em 2009, a professora Aurila Sales, 42 anos, e sua irmã, Ana Carla de Sousa, foram escolhidas para agentes de leitura da Comunidade Quilombola de Nazaré, em Itapipoca, no Ceará, estado com maior número de bibliotecas rurais no País. Elas participaram de uma atividade de formação e hoje são “a peça fundamental para motivar e animar a comunidade em torno da biblioteca rural”, como enfatiza Dione.

Comunidade quilombola

Na Comunidade Quilombola de Nazaré vivem 51 famílias que utilizam a biblioteca Arca das Letras, na escola da comunidade. Aurila conta que, lá, eles encontram livros didáticos e paradidáticos. “Tem todo tipo de livro. Há livros que falam do movimento quilombola e do movimento indígena, por exemplo. E quem precisar pode pegar o livro na biblioteca. Tem material voltado para criança, adulto, adolescente”, explica.

Aurila e Ana Carla realizam campanhas para ampliar o acervo, como eventos culturais e comemorativos na comunidade e, dessa forma, transformam a arca das letras num espaço de pesquisa e de busca de informações. Para Aurila, o programa foi importante para incentivar a leitura. “A comunidade melhorou bastante. A gente aprende mais, se inteira mais dos assuntos. Vejo que a comunidade participa e tem muito interesse na leitura dos livros”, conta.

Missão

Na avaliação de Dione, por meio da formação de agentes de leitura e da implantação de bibliotecas o Programa Arca das Letras consolida sua missão de incluir comunidades rurais em projetos de educação e cultura estimulando o estudo e a qualidade da pesquisa escolar. “Sempre encontramos nas comunidades pelo menos duas pessoas que se interessam, gostam da leitura e querem ser voluntários para trabalhar com isso”, ressalta.

Conforme a coordenadora, durante os dez anos do programa foi possível observar que os moradores das comunidades rurais pensam no coletivo. “Esse trabalho do agente de leitura é justamente isso, um trabalho voluntário para o coletivo, para a comunidade. Nós percebemos que as bibliotecas com maior número de leitores, que tem uma atração maior, com atividades voltadas para a leitura, são justamente as que o agente tem um ou mais trabalho de mediação de leitura”, justifica.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Inclusão de E-books em bibliotecas: uma discussão necessária

Por Liliana Serra, matéria completa no  Revolução eBook

Os livros eletrônicos estão mudando radicalmente a realidade das bibliotecas e sua inclusão nos acervos deve ser pensada na forma de somar forças com o mercado editorial, garantindo a permanência dos negócios e cumprindo com sua função original de preservação de publicações e acesso ao público. As dificuldades encontradas são marcadas em parte pela indefinição de um modelo de gestão bibliotecário, que por sua vez, é impactado por uma grande diversidade de modelos de negócios estabelecidos pelo mercado editorial, comprometendo a aquisição e empréstimo digital. 
As bibliotecas tem enfrentado um grande desafio na transição entre o tradicional e o digital e isso acarreta em alterações e adaptações na gestão das unidades de informação. Com as mudanças nas relações de aquisição de conteúdo e sua disponibilização ao usuário é necessário repensar o desenvolvimento da coleção, de forma a garantir a continuidade de títulos nos acervos, mensurar o uso que é feito das obras adquiridas, aferir o controle de acesso aos conteúdos para evitar utilizações não autorizadas, além de oferecer novas possibilidades de consultas e serviços. 
O objetivo deste texto é apresentar uma reflexão sobre o advento do livro eletrônico (e-book) e a sua oferta nas bibliotecas, apresentando as dificuldades encontradas. Com o conhecimento deste cenário será possível aos agentes envolvidos estabelecer um modelo de negócios que satisfaça às necessidades e anseios, proporcionando a manutenção e crescimento dos envolvidos, construindo uma estratégia de atuação que favoreça todas as partes. 
O mercado de venda de e-books não está completamente alinhado com as demandas das bibliotecas. Apesar da variedade de modelos de negócios que estão em prática e discussão atualmente, o impacto destas mudanças não foi avaliado plenamente. Ao analisar as possibilidades de aquisição e acesso, observamos que algumas editoras impõem os modelos existentes, oferecendo pouco ou nenhum espaço para negociação. Apesar de serviços oferecidos por distribuidores, observa-se certa relutância em fornecer obras em formato digital. Esta motivação deriva do temor que as bibliotecas permitam o download indiscriminado dos arquivos e estes, uma vez em poder dos usuários, possam ser distribuídos livremente, caracterizando a pirataria. A posição de grupos de editores de recusarem-se a vender e-books para bibliotecas mediante o argumento que por ter a publicação acessível por um clique de forma gratuita, o leitor não comprará mais livros, é tão irreal quanto a afirmação que, por ter o livro impresso na biblioteca os consumidores não irão adquirir seus próprios exemplares. 
A prática demonstra que as bibliotecas sempre representaram bons clientes aos livreiros e editores exatamente por realizarem compras em larga escala com frequência, além do fato de ser um local de descoberta de publicações, ao permitir o conhecimento e contato das obras pertencentes aos acervos, o que favorece o aumento nas vendas. Dentre as restrições sugeridas consta o estabelecimento de uma quantidade máxima de acessos que um e-book poderia ter na biblioteca e, depois de atingida esta marca, a instituição deveria comprar um novo exemplar ou renovar a licença de uso. O número de acessos de empréstimos digitais possíveis seria um valor alcançado através de cálculo de média de empréstimos realizados em livros impressos atrelados a durabilidade do papel e a expectativa de vida útil de um livro tradicional. Este argumento não tem aderência nas bibliotecas, pois o consumo e a durabilidade de um exemplar físico são determinados por diversos fatores como qualidade do papel, manipulação correta e frequência de utilização dos usuários, não sendo possível definir um número específico de empréstimos para determinar a durabilidade do exemplar. Num primeiro momento, apenas os títulos com maior vendagem são oferecidos no formato digital, uma vez que estas obras atingem marcas expressivas de comercialização. As publicações nascidas no ambiente digital são oferecidas com maior frequência, porém o mesmo não é visto com regularidade nos títulos antigos. 
Observa-se também uma grande variação de preços, seguido de restrições de uso ou até mesmo a política de não vender e-books para bibliotecas. Enquanto cada fornecedor oferece um modelo de negócios, as bibliotecas, por outro lado, vem negociando para obter condições favoráveis e flexíveis. 
Os modelos de negócios apresentam restrições, a saber: o acesso individual ou múltiplo, ou seja, sem ou com simultaneidade, impactando profundamente os valores dos contratos estabelecidos; número limitado de empréstimos eletrônicos, obrigando a instituição a adquirir nova licença de uso quando este número de empréstimos for alcançado; variação dos preços, com situações onde o exemplar impresso é mais barato que o digital; restrição de venda de lançamentos; obrigatoriedade que o empréstimo (check in / check out) seja realizado no espaço da biblioteca; acesso somente através de plataformas proprietárias e restrições de vendas para consórcios ou empréstimo entre bibliotecas. 
O mercado apresenta possibilidades de aquisição de conteúdos digitais para bibliotecas, porém observa-se que não existe uma regra para a comercialização. Com a diversidade de modalidades de aquisição (aquisição perpétua, assinatura, patron driven acquisition e short term loan – os dois últimos com pouca ou nenhuma aplicação no Brasil até o momento) e as variações inerentes a cada modalidade, as bibliotecas deverão ter um controle sobre como ofertar as obras a seus usuários de acordo com os processos aquisitivos definidos com cada fornecedor. 
Os e-books apresentam vantagens e desvantagens. Se por um lado eles permitem outras formas de ocupação do espaço antes destinado a guarda de volumes impressos, eles introduzem novos problemas, como a utilização de plataformas proprietárias para acessar as publicações adquiridas, limitações de números de downloads ou impressões e o próprio custo, visto que, analisando a aquisição individual de títulos, eles são comparativamente mais caros que as versões impressas. Pacotes de títulos oferecidos por assinatura são mais acessíveis, porém a quantidade de obras disponíveis nem sempre será proporcional à qualidade dos produtos ofertados. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Anais Enancib 2013

Os Anais do XIV ENANCIB, que aconteceu em Florianópolis, estão disponíveis no site do evento.
Consulte os anais através no site:
http://enancib.sites.ufsc.br/index.php/enancib2013/XIVenancib/schedConf/presentations

ePub3 para eBooks Avançados

A tendência do livro digital é trilhar um caminho onde áudio, vídeo e animações irão fundir-se ao texto impresso, provocando uma experiência de leitura nova e inovadora. Produzir este livro digital rico, avançado, inovador, não é tarefa fácil. É preciso conhecimento, e principalmente, prática.

Nos dias 21 e 22 de novembro, São Paulo recebe a última turma 2013 do curso ePub3 para eBooks Avançados, o principal treinamento do país dedicado a formar profissionais capacitados na produção de ebooks avançados. Com apenas 9 vagas, ele é ministrado por José Fernando Tavares, diretor da Simplíssimo e curador da Conferência Revolução eBook.

Confira a seguir textos de referência sobre ePub3, de autoria do palestrante Fernando e publicados anteriormente aqui no Revolução:


Fonte: Revolução ebook

Agência Brasileira do ISBN terá registro totalmente online para novos ISBNs

Na próxima segunda-feira, 11 de novembro, a Agência Brasileira do ISBN fará uma atualização muito positiva para as editoras cadastradas na instituição: vai ao ar um novo sistema online, em que será possível solicitar e acompanhar o registro do ISBN de modo totalmente eletrônico, sem necessidade de procedimentos manuais, como o envio de formulários impressos e comprovantes de pagamento pelo correio.
De acordo com a legislação do livro no Brasil, todos os livros publicados e distribuídos no país precisam receber um número ISBN para registro e catalogação. Até agora, o único procedimento possível para registrar ISBNs, para a grande maioria das editoras cadastradas na Agência, era através do envio, pelo correio, de um formulário impresso. 
Embora o método vá continuar, agora a editora poderá optar por um procedimento totalmente eletrônico, mais prático, rápido e econômico. Estamos aguardando um acesso ao sistema, para apresentarmos a novidade aos leitores do Revolução eBook e explicar como ela funcionará na prática, uma vez que muitos autores (e editores) nos escrevem regularmente com dúvidas a respeito da designação de ISBNs para ebooks. Enquanto isso, confira mais detalhes sobre esta ótima novidade, na entrevista que fizemos com a chefe da Agência Brasileira do ISBN, Andréa Coêlho de Souza: 
Revolução – A Agência está implantando um sistema online para os pedidos de ISBN, como está ocorrendo a transição? 
Andréa Coêlho de Souza – A transição já vem ocorrendo internamente na Agência há 2 meses, que correspondente a 1ª fase. Como o novo sistema está passando por ajustes, podem acontecer alguns atrasos eventuais nos serviços, no qual os editores já foram comunicados através do site da Agência. Novamente reiteramos nossas desculpas e pedimos a compreensão de todos, pois toda mudança requer um pouco de paciência. A próxima fase será o lançamento de um novo site da Agência. 
Revolução - Qual o cronograma da expansão desta nova sistemática, para as demais editoras? 
Andréa - No dia 4/11 11/11– 2ªf, o sistema online já estará disponibilizado para todas as editoras, através de um novo site da Agência. O modo atual, correio, permanecerá, também neste novo site. Fica a critério do editor escolher o online ou correio. 
Revolução – Como funcionará o novo sistema? 
Andréa – Os editores poderão solicitar os serviços, fazer o pagamento (boleto bancário) e acompanhar a solicitação através da internet. O processo atual, via correio, permanecerá. O editor é livre para escolher a opção que melhor lhe convier: on line ou correios. 
Revolução - Quais benefícios você visualiza com a nova sistemática, tanto para a Agência, quanto para as editoras? 
Andréa – Para a Agência o sistema on line era uma promessa da atual administração para com os editores. O benefício é que os editores vão reduzir gastos com correio e tempo de envio. Lembramos que o processo de envio do serviço executado pela Agência para os editores [a entrega dos ISBNs] já era on line desde o ano de 2007. 
Revolução - A Agência verifica um aumento no número de registros de ISBN, por conta da publicação de ebooks? 
Andréa – Este aumento estava sendo gradativo, mas, nos dois últimos anos ele vem crescendo. Algumas editoras estão se cadastrando na Agência somente para editar e-books.

Por Eduardo Melo, fonte Revolução ebook

Ascensão dos ebooks tira do mercado 98 editoras na Inglaterra

Por Eduardo Melo em novembro 5, 2013

Talvez não sejam só as pequenas livrarias (ou livreiros?) que estão ameaçados de extinção na Inglaterra, por culpa dos ebooks. Segundo o jornal Financial Times, 98 editoras fecharam as portas na Inglaterra. 
A ascensão dos e-books e a pressão exercida por importantes varejistas para baixar preços dos livros vêm forçando um grande número de editoras na Inglaterra a deixarem o mercado, conforme sinalizou uma pesquisa realizada pela empresa de contabilidade Wilkins Kennedy. 
Por lá, 98 editoras de livros, periódicos e outros materiais semelhantes se afundaram em dívidas e fecharam neste ano –até o final de agosto. Houve um aumento de 42% na comparação anual. 
A maioria são pequenas editoras, mas algumas destas pequenas tinham relevância no mercado, segundo a matéria. A ferocidade do mercado não seleciona vítimas.
Lembrando que a Inglaterra é um país onde o varejo de ebooks é dominado pela Amazon (responsável por cerca de 90% do mercado), e onde até os autores independentes já começaram a ficar atentos para as consequências desta concentração do mercado. 
Os números mostram que o ambiente digital vem se tornando tanto um desafio quanto uma oportunidade para os editores de todo o setor, uma vez que, por um lado, é mais fácil chegar ao leitor, mas, por outro, ficou mais difícil ganhar dinheiro com eles em um mercado lotado. 
“A ascensão da Amazon e outros vendedores com grande poder de compra significa que a pressão sobre as margens dos editores agora é imensa”, disse Anthony Cork, parceiro de Wilkins Kennedy. Mas enquanto o poder de compra da Amazon pode forçar editoras a vender a preços mais baixos, também cria uma “rota” para as editoras menores chegarem ao mercado, uma vez que tem dificuldade de colocar seus livros nas grandes redes de varejo, disse Angus Phillips, diretor do Centro Internacional de Oxford para Estudos de Publicação.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

29 de outubro: 203 anos da Biblioteca Nacional

Hoje, 29 de outubro, é comemorado o aniversário da nossa Biblioteca Nacional. 
A data de 29 de outubro de 1810 é considerada oficialmente como a da fundação da Real Biblioteca que, no entanto, só foi franqueada ao público em 1814.
A Biblioteca Nacional do Brasil, é considerada pela UNESCO uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo, é também a maior biblioteca da América Latina. 

Foto: Portal o Hoje.


Parabéns!!!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Tipos de fornecedores de ebooks, na visão das bibliotecas

Escrito por Liliana Giusti Serra em outubro 21, 2013.
Existem diversos modelos de negócios para utilização de ebooks em bibliotecas. Como o mercado ainda está em busca de estabilidade, algumas formas são oferecidas, com um mesmo fornecedor podendo utilizar variadas possibilidades de comercialização. Os modelos existentes atualmente são aquisição perpétua (tema da coluna de setembro de 2013), assinatura, PDA / DDA ou patron / demand driven acquisition (aquisição direcionada pelo usuário / demanda), STL ou short term loan (aluguel por período curto), pay-per-view e auto publicação.
É importante identificar quem são os fornecedores de ebooks e o tipo de serviço que oferecem. Basicamente existem cinco tipos de fornecedores: os editores, os agregadores de conteúdo, os distribuidores, as lojas virtuais (varejo) e os próprios autores.

Editores
Os editores são os responsáveis pelas obras editadas. Podem realizar venda diretamente às bibliotecas ou oferecer suas obras a agregadores, distribuidores ou lojas virtuais. São empresas comerciais, profissionais do mercado do livro. Ao comprar diretamente de editores, a biblioteca elimina a figura do intermediário, podendo negociar melhores preços. Alguns editores, além de ebooks, podem oferecer conteúdo de periódicos, o que é interessante aos bibliotecários. Diversas universidades têm selos editoriais e algumas bibliotecas têm aderido a este movimento, permitindo a comercialização – e posterior uso, sem restrições de acesso – de títulos institucionais. Ao adquirir obras diretamente dos editores, as bibliotecas precisam firmar contrato com diversos fornecedores, cada um com suas condições de uso, o que exigirá gestão e controle por parte dos bibliotecários. Existem editores que se negam a vender diretamente para bibliotecas, tendo seus títulos disponíveis apenas através de agregadores e distribuidores. Ao adquirir de editores e, de acordo com o modelo de negócios contratado, os arquivos podem ficar com a biblioteca ou na nuvem, com controle do fornecedor e serão acessados somente através de plataformas proprietárias, que controlam o acesso através de DRM (Digital Rights Management).

Agregadores de conteúdo
Os agregadores de conteúdo são empresas que representam diversas editoras e oferecem praticamente todos os modelos de negócios existentes. Eles licenciam os conteúdos de diversos fornecedores e os disponibiliza através de sua própria plataforma. O tipo de acesso e os serviços oferecidos aos usuários são refletidos nos valores dos contratos. Ao negociar com um agregador a biblioteca vê-se lidando com um único fornecedor que proporciona acesso a obras de diversas editoras. Por ter grande quantidade de títulos, os preços costumam ser atraentes. Os agregadores normalmente dispõem de metadados para incluir os registros nos OPACs, além de possibilidade de integração com serviços de descoberta. Este ponto é muito importante quando a assinatura pode conter centenas de milhares de títulos. Se a biblioteca for cadastrar os ebooks manualmente – ou mesmo por importação através de fontes idôneas -, não terá terminado de cadastrar todos os registros quando finalizar o período assinado. Por outro lado, existem alguns desafios. Os agregadores não mantém contrato com todas as editoras, portanto pode ser necessário ter contrato com editores ou outros agregadores para oferecer determinados títulos. Por lidarem com grandes volumes de obras, o espaço para negociação de valores é limitado. Caso a biblioteca opte por realizar a aquisição perpétua de alguns títulos, o valor individual das obras pode ser mais elevado que o comparado com a compra através do editor. Os agregadores costumam fechar com as mesmas editoras, portanto é comum que obras iguais sejam oferecidas por fornecedores diferentes. Esta situação é identificada como obras concorrentes. Ao deparar-se com esta situação a biblioteca necessita ter um forte controle do uso que é feito dos ebooks assinados por agregador, para tomada de decisão no momento da renovação da assinatura, avaliando a quantidade de acessos simultâneos, preços para aquisição perpétua, possibilidade de impressão (total e/ou parcial) etc.

Distribuidores
Os distribuidores são semelhantes aos agregadores, com a diferença que a ferramenta de acesso utilizada é do editor, visto que eles não possuem plataforma proprietária. Os distribuidores são intermediários entre as bibliotecas e as editoras e também trabalham com os modelos de negócios existentes ao permitir realização de assinaturas, aquisição perpétua, PDA, STL etc. Da mesma forma que os agregadores, os distribuidores permitem que as bibliotecas tenham acesso a obras de diversas editoras através de um único contrato. Costumam ser mais flexíveis nas negociações e também oferecem grande quantidade de títulos. Os distribuidores, por outro lado, nem sempre conseguem oferecer acesso simultâneo das obras assinadas, limitando ao acesso monousuário. Alguns, em semelhança com algumas lojas virtuais, oferecem ferramenta para realização do empréstimo digital (e-lending). Normalmente os arquivos assinados ficam com o fornecedor na nuvem e para aquisição perpétua podem ser baixados aos servidores da biblioteca.

Lojas virtuais
As lojas virtuais podem ser fornecedoras para bibliotecas, porém as possibilidades de assinaturas são limitadas, priorizando a aquisição perpétua, com acesso monousuário aos ebooks. Normalmente realizam convênios com bibliotecas e permitem que seus usuários aluguem livros através de identificação e confirmação do vínculo do leitor com a biblioteca, em ferramentas de empréstimo digital. Esta possibilidade não é presente no Brasil, porém ocorre com frequência nos Estados Unidos, principalmente com a Amazon. Ao adquirir obras por lojas virtuais os arquivos são armazenados no servidor da biblioteca e não na nuvem. Se optar por empréstimo digital, o usuário faz o download da obra e terá acesso a ela por um período determinado. O uso de plataformas proprietárias é constante e, no caso da Amazon, possui, além dela, um formato exclusivo: os ebooks adquiridos desta loja são do formato AZW e apenas são acessados através do Kindle (qualquer geração) ou de aplicativos para tablets, tanto IOS quanto Android, além do DRM.

Autores
Os autores são outra possibilidade de fornecedor. O fenômeno da auto publicação tem sido bastante discutido, mas não está claro se pode ser considerado como um novo modelo de negócios. Se os autores oferecem suas obras para livrarias virtuais (com diversos autores brasileiros disponibilizando suas obras na Amazon), ou realizam a venda direta às bibliotecas, com a obra aderida ao Creative Commons, gratuita ou a preços baixos, não se pode assumir que este seja um novo modelo de negócios, visto que também podem utilizar o modelo do fornecedor onde o arquivo estiver hospedado, como agregadores, distribuidores ou lojas virtuais. Na auto publicação o autor passa a assumir o papel do editor, negociando suas obras diretamente aos interessados e recebendo remuneração maior se comparado com os valores praticados pelas editoras. Por outro lado, esta autonomia pode representar em perda de qualidade das obras, uma vez que não existe um editor participando do processo. Outro fator importante é a ausência de estrutura, com o próprio autor sendo o responsável pela divulgação de seu trabalho. Tampouco os autores têm clareza da importância de bons metadados para descrever a obra, fator este que se mostra determinante para a encontrabilidade de uma publicação e sua consequente aquisição. Apesar destas questões, a auto publicação tem crescido bastante no mercado. Às bibliotecas cabe o desafio de localizar estas obras – o que normalmente ocorre por indicação de usuários, professores ou dos próprios autores e incluí-las nos acervos. Quando a compra é realizada diretamente através dos autores, normalmente o arquivo é baixado em dispositivos de leitura ou nos servidores da biblioteca, com acesso monousuário.

Pontos importantes sobre o fornecimento de ebooks
É importante salientar que, independente do modelo, algumas questões devem ser identificadas ao contratar fornecedores de ebooks. O fato de trabalharem com plataformas proprietárias determina o uso que será realizado do ebook, quantidade de acessos contratada (monousuário, multiusuário ou ilimitado) e os serviços oferecidos aos usuários (impressão total ou parcial dos conteúdos).

Dependendo do modelo de negócios contratado, pode ocorrer alteração dos títulos adquiridos ou licenciados, com inclusão, atualização ou remoção de obras. Este fator pode ser positivo ou negativo, dependendo da biblioteca e das necessidades de informação de seus usuários.
Alguns fornecedores estão oferecendo metadados no formato MARC para que as bibliotecas possam incluir os registros em seus catálogos (OPACs – Online Public Access Catalogue), proporcionando aos leitores um único local de consulta, tanto de livros impressos quanto eletrônicos. Por outro lado nem sempre a qualidade dos metadados está alinhada com a política de descrição adotada pela instituição.

Não é interessante não incluir os ebooks assinados ao catálogo da biblioteca, visto que isso dificulta a localização dos títulos pelos usuários, além de obrigar que a pesquisa seja realizada em diversos ambientes. Caso a biblioteca opte por permitir a descoberta dos ebooks somente pela plataforma do fornecedor, os usuários podem desvincular os ebooks das bibliotecas, o que não é favorável, uma vez que desvincula os ebooks do acervo oferecido.
Como cada fornecedor tem a sua plataforma, caso a biblioteca opte por não centralizar a descoberta no OPAC, deve se preocupar em capacitar seu staff e da comunidade usuária na utilização de cada ferramenta, sempre lembrando que os critérios e refinamentos de busca são variados. Alguns fornecedores cobram taxas anuais para utilização da plataforma.

Nem todo o lançamento em formato digital é oferecido para comercialização às bibliotecas. Algumas obras passam por um período de “quarentena” (embargo) da versão digital garantindo venda da versão impressa. Nestes casos o livro digital é comercializado no varejo ao público geral, proporcionando garantia às editoras que este título alcance uma boa vendagem de exemplares antes de tornar-se disponível nos acervos.

As bibliotecas têm diversas opções de fornecedores e é importante saber o que cada um pode oferecer em termos de quantidade de títulos, tipo de acesso, plataforma utilizada, DRM, formato dos arquivos, metadados em MARC, integração com serviços de descoberta etc. Apesar de ainda não termos no Brasil uma quantidade expressiva de fornecedores, já podemos contar com alguns, tanto empresas internacionais oferecendo seus recursos, quanto brasileiras, impulsionando a oferta de títulos em português. Apesar de ainda não recorrente por aqui, nos Estados Unidos as bibliotecas, principalmente universitárias, estão enfrentando dificuldades por manterem contratos e adquirirem conteúdo digital de diversos fornecedores, exigindo que a biblioteca tenha um rigoroso controle de utilização dos recursos, orçamento e funcionalidades oferecidas, pois estes aspectos devem ser mensurados no momento de uma nova aquisição ou renovação. Estes novos desafios podem ser encarados como impulsionadores aos bibliotecários ao lidarem com rotinas de gestão, até então relegadas a segundo plano em detrimento das questões técnicas, inerentes da área. É um momento de mudança no papel do bibliotecário como um gestor de conteúdo, físico e/ou digital, e a oferta de serviços que suas unidades de informação proporcionam aos usuários da comunidade atendida.

O tempo destrói tudo… mas especialmente os artistas?

Por Eduardo Melo em outubro 21, 2013.

Primeiro foram os cantores brasileiros, que 40 anos atrás eram censurados, mas envelhereceram – e se tornaram eles próprios, censores. Agora é a vez de Mario Vargas Llosa mostrar que o tempo vai aprofundando seu conservadorismo. A vítima? O livro digital:

“O espírito crítico, que sempre foi algo que resultou das ideias contidas nos livros de papel, poderá se empobrecer extraordinariamente se as telas acabarem por enterrar os livros.”

“Estou convencido de que a literatura que se escreverá exclusivamente para as telas será uma literatura muito mais superficial, de puro entretenimento e conformista.”

É preciso fazer todo o possível para que o livro de papel não desapareça”, insistiu, destacando que “há uma problemática nova com a grande transformação que significa para o livro e para a cultura em geral o desenvolvimento de novas tecnologias e, sobre isso, há muita incerteza”.

Embora as agências internacionais estejam reproduzindo a fala dele esta semana, já faz um tempinho que Llosa levanta sua voz contra o livro digital – em 2010, ele já dizia basicamente a mesma coisa.

Só o tempo dirá quem tem razão.

Seja como for, o livro digital não irá empobrecer o espírito crítico – disso já se encarregam as revistas de fofocas, os programas sensacionalistas na televisão, as escolas mal-equipadas e sem professores… entre tantas outras coisas.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Desisti da Biblioteconomia

Lembro-me de um bibliotecário que desistiu da Biblioteconomia. Digo, um bibliotecário, já com certa experiência e relativo sucesso na carreira. Um belo dia, ele simplesmente desistiu de ser bibliotecário e foi seguir outra profissão. Estava infeliz. Foi ser feliz.

As pessoas entram na Biblioteconomia porque é fácil. O que é fácil normalmente não promete grandes compensações financeiras. Ninguém entra na Biblioteconomia pensando em ficar rico.

A Biblioteconomia é uma profissão de apaixonados. Quem entra e fica não se imagina fazendo qualquer outra coisa diferente do que faz, embora nunca tenha se imaginado fazendo o que faz antes de optar pelo curso de Biblioteconomia, simplesmente porque foi uma escolha fácil.

São muitos os relatos de “estou de saco cheio” das bibliotecas, bibliotecários e biblioteconomia, embora poucos se concretizem como uma efetiva separação da área. Mas esses casos de desistência da nossa profissão são reais. Na maior parte dos casos os bibliotecários largam as bibliotecas e vão trabalhar como vendedores de softwares ou com qualquer coisa relacionada à computação.

Salário é um motivo. Imagino que um vendedor da Elsevier ganhe mais do que alguém que trabalhe em uma biblioteca pública. Abrir uma consultoria dá trabalho, mas a pessoa certa, com a competência certa, pode se dar bem, construindo para si a flexibilidade no trabalho que normalmente não encontra em bibliotecas.

Desistentes reclamam que alguns salários pagos a bibliotecários são menores do que salários pagos a pessoas sem ensino superior. Um salário de R$ 3 mil pode parecer interessante para um bibliotecário de cidades pequenas ou do interior, mas não sustenta um bibliotecário e sua família em uma cidade como Rio ou São Paulo. Afinal, quatro anos de faculdade precisam se justificar.

A outra maneira de olhar para a desistência é que as pessoas que saem da profissão obviamente possuem habilidades relacionadas a outras áreas. Um arquiteto da informação é um arquiteto da informação, seja trabalhando em uma biblioteca ou em uma empresa de desenvolvimento web.

Mas ainda assim, em maior ou menor efeito, as empresas que contratam ex-bibliotecários costumam oferecer salários bastante similares ao que as bibliotecas oferecem para alguém com formação em Biblioteconomia.

A grande questão é: vale a pena tentar convencer as pessoas a não largar a Biblioteconomia? Acho que não.

De cara, pessoas frustradas vão continuar sendo pessoas frustradas. No caso das bibliotecas públicas, os salários baixos e a péssima estrutura de trabalho não vão melhorar no curto prazo. Se uma pessoa consegue desbravar melhores opções, bom pra ela. Espero sinceramente que seja feliz.

Claro que podemos nos perguntar: será que estamos perdendo talentos? Talvez sim, mas talento é o que não falta nos cursos de graduação. A cada ano, hordas de futuros bibliotecários aparecem e, dentre eles, muitos serão destaque. Cada vez mais pessoas interessantes leem sobre Biblioteconomia, sobre o mercado de trabalho, a oferta de concursos e decidem tentar a sorte na área.

Se essas pessoas desistirem da “Biblio” três anos depois de formadas, elas serão substituídas por outros jovens idealistas e, sobretudo, levarão alguma experiência da nossa área para as outras. É uma situação onde todos ganham.

E essas pessoas que desistem, elas amam as bibliotecas? Me parece que não. Algumas pessoas podem realmente gostar do conceito da biblioteca, da função social da profissão, até mesmo ser usuários de bibliotecas, mas tudo isso é bem diferente de trabalhar em uma biblioteca.

Porém, se elas são realmente apaixonadas por bibliotecas, elas tem a opção de não desistir e buscar algum trabalho relacionado à bibliotecas que lhes agrade. A gama de atividades é imensa e pessoas competentes com experiência tem grande chance de conseguir esses trabalhos.

Se as pessoas querem desistir da profissão, não faz muita diferença. A verdade é que existe uma longa lista de espera de outras pessoas que irão substituí-las. Em geral, muito mais pessoas estão buscando trabalho em bibliotecas do que pessoas desistindo desses trabalhos.

Publicado em 18 out, 2013 | por Moreno Barros [tradução adaptada de Leaving the profession]. Disponível na Revista Biblioo

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Biblioteca Central da UFPB na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Programação

22/10/2013

Horário: 10:00 - 12:00
Título da Atividade
Acessibilidade Digital
Nome do Palestrante
Fabiana Lazarin, Josenildo Costa
Público Alvo
Público Geral
Detalhamento da Atividade
Uso de leitores de tela para usuários com deficiência visual.

Horário: 14:00 - 17:00
Título da Atividade
Apresentação da Biblioteca Virtual Paul Outlet
Nome do Palestrante
Sanderli José da Silva Segundo
Público Alvo
Público Geral
Detalhamento da Atividade
Apresentação da Biblioteca Virtual Paul Outlet.

23/10/2013

Horário: 9:00 - 10:30
Título da Atividade
Iridologia Ciência e Arte
Nome do Palestrante
Henrique Teixeira Alves
Público Alvo
Público Acadêmico
Detalhamento da Atividade
Diagnósticos de saúde através da íris ocular.

Horário: 13:30 - 15:00
Título da Atividade
Realidade Virtual na reabilitação funcional: conceitos e aplicações
Nome do Palestrante
Gessika Araújo de Melo
Público Alvo
Público Geral
Detalhamento da Atividade
Reabilitação funcional neurológica através do console Xbox, utilizando a ferramenta Knect Sports.

Horário: 15:00 - 17:00
Título da Atividade
Treinamento Portal de Periódicos da Capes
Nome do Palestrante
Mônica Paiva
Público Alvo
Público Acadêmico
Detalhamento da Atividade
Treinamento sobre o Portal de Periódicos da Capes

SNBU 2014




Está no ar a página do SNBU 2014
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O poder dos livros

Por Galeno Amorim

O dito popular que apregoa que a sorte nunca bate duas vezes na mesma porta definitivamente não vale para o caso do Brasil e as novas janelas que se abrem para a internacionalização da sua literatura e dos seus autores. Quase 20 anos após ser homenageado pela primeira vez pela tradicional Feira do Livro de Frankfurt, maior vitrine do mercado mundial de livros, o país está de volta na condição de maior principal destaque do evento, que reúne 300 mil visitantes de 111 nações.

Trata-se de oportunidade imperdível para o Brasil e sua literatura, que, em função do protagonismo que o país vive de tempos para cá no cenário internacional, tem atraído o interesse dos leitores planeta afora. Afinal, têm os livros um poder extraordinário para mostrar e impregnar — mais até que o cinema — nosso modo de ser e visão de mundo. É a forma inteligente e pacífica de estreitar relações com os povos, in-tercambiar nossa vasta diversidade cultural e mesmo abrir caminhos para novas relações políticas e comerciais.

O Estado e suas instituições têm o dever de olhar com atenção e respeito e não permitir
que a oportunidade seja desperdiçada. Antes do Brasil, um único país — a índia, outro dos Brics — tivera a honra de ser lembrado mais de uma vez no maior centro de negociação de direitos autorais do mundo. Muito do que se lerá nos próximos anos no mundo vai sair de uma das mesas de negócio de Frankfurt.

Editoras brasileiras sempre foram à Alemanha com o propósito de adquirir títulos para ser publicados aqui. Em função de barreiras da língua e do desconhecimento de nossa literatura, vender lá fora nunca foi tarefa fácil. Sem dizer que, na sua conta, prejudicava o tempo de ir às compras, de onde vêm de fato suas receitas.

Mas este cenário está mudando. Não são poucos os agentes literários e editores atrás de autores clássicos (de Machado de Assis a Jorge Amado), contemporâneos e jovens sequer conhecidos em sua pátria. Nas palavras de uma agente alemã, a temporada é de flerte e noivado a fim de relações duradouras.

A venda de direitos de autores brasileiros triplicou a partir de 2010 e o programa de tradução da Biblioteca Nacional, recriado em 2011, evoluiu dez vezes em comparação com a média dos anos 1990. O Ministério da Cultura anunciou investimentos de R$ 70 milhões em programas de tradução e eventos internacionais até 2020. No ano passado, o país foi destaque na Feira de Bogotá; em 2014, será em Bolonha, a maior do ramo infantil e juvenil; e, então, Paris, Londres e Nova York. É o que a ministra Marta Suplicy chama de soft power brasileiro.

Era essa a ideia da presidente Dilma Rousseff ao criar, em 2012, o Centro Internacional do Livro para ser o artífice deste grande momento da literatura brasileira. Mas é bom ficar de olho e tirar lições de 1994, quando, encerradas as homenagens, o Brasil tirou o pé do acelerador, deu as costas ao mundo dos livros e voltou, equivocadamente, para seu casulo. Que agora os tempos sejam outros!

Galeno Amorim é diretor do Observatório do Livro e da Leitura e foi presidente da Fundação Biblioteca Nacional e do Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e Caribe (Cerlalc/Unesco).


Publicado originalmente no jornal O Globo - 11/10/2013

Biblioteca de Alexandria acabou por falta de verba, dizem historiadores

A Biblioteca de Alexandria nasceu em 283 a.C. Famosa nas aulas de história como aquela que foi queimada e, junto com o fogo, teve manuscritos de valor inestimável já no mundo antigo (imagina hoje!) destruídos, ela ficava em Alexandria, cidade helênica fundada no Egito por Alexandre, o Grande. O imperador seguinte ele, Sotero Ptolomeu II, quis construir um museu de estilo grego que atraísse estudiosos do mundo todo. Daí surgiu a Ptolemaic Mouseion Academy, o nome oficial da Antiga Biblioteca de Alexandria.

Não se fala, no entanto, que historiadores têm uma versão diferente sobre a decadência da Biblioteca e seu fim. De acordo com o historiador Heather Phillips, a responsabilidade da destruição da biblioteca não pode recair completamente sobre Amr ibn al-As, então governador geral do Egito, que a teria queimado em 642. Para Phillips, o declínio da Biblioteca de Alexandria foi gradual e se deveu a algo que, infelizmente, a gente conhece bem: um corte de gastos públicos.

"Embora pareça adequado que a destruição de uma instituição tão mítica quanto a Grande Biblioteca de Alexandria necessitasse de uma explicação que envolvesse um evento cataclísmico... na realidade, as fortunas da Grande Biblioteca encolheram e desapareceram junto com as de Alexandria. Muito de seu declínio foi gradual, burocrático e, comparando com nossa imaginação cultural, nada grandioso", escreveu Philips.

Segundo o historiador, o imperador romano Marco Aurélio Antônio suspendeu a verba da Biblioteca, por exemplo, abolindo bolsas para membros e expulsando todos os acadêmicos estrangeiros. Ele também diz que perseguições e ações militares podem ter danificado a estrutura da biblioteca. "Que instituição poderia esperar continuar atraindo acadêmicos importantes em uma cidade que era constantemente uma arena de batalha?", questiona.

Outro historiador, Luciano Canfora, acredita que quando a Biblioteca foi queimada, restavam pouco mais do que ruínas - não só na estrutura, mas também no acervo. Àquela altura, diz Canfora em seu livro The Vanished Library, só restavam escritos cristãos primitivos, atos municipais (como o Diário Oficial) e literatura sagrada e geral.

Depois de tantas invasões e falta de recursos pra manter a biblioteca, ela não abrigava mais uma grande coleção e nem era referência para acadêmicos. O acervo restante foi literalmente queimado - os pergaminhos foram usados como combustível nos fornos que mantinham quentes os banhos termais da cidade, de acordo com Canfora. Demorou seis meses para que todo o material fosse queimado e só os livros de Aristóteles foram poupados.

4ª FLIBO - Feira Literária de Boqueirão

A Paraíba na Feira Literária de Frankfurt - Alemanha - 2013


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O livro de papel parece ter mais futuro hoje do que ontem

Livraria El Ateneo
El Ateneo, em Buenos Aires: as livrarias não devem morrer.

São Paulo - Em tese, a pequena livraria da americana Keebe Fitch, a McIntyre’s Books, em Pittsboro, na Carolina do Norte, já deveria ter fechado as portas. Keebe viu o avanço das grandes redes, como Barnes & Noble, nos anos 90. Testemunhou também a explosão das vendas pela internet, sobretudo o fenômeno varejista Amazon, nos anos 2000.

E, mais recentemente, foi a vez de os e-books mudarem novamente o mercado livreiro nos Estados Unidos. Mas a loja de Keebe, herdada de seus pais e há 25 anos no mercado, vai muito bem: a expectativa é faturar 10% mais em 2013. E a McIntyre’s Books é tudo, menos um caso isolado. 

As vendas das chamadas livrarias alternativas nos Estados Unidos aumentaram 8% em 2012. O número de lojas também voltou a crescer. “Oferecemos uma série de serviços que enriquecem a experiência do cliente na livraria. Caso contrário, ele compraria online”, diz Keebe.

Em seu cardápio estão encontros com escritores e discussões entre leitores com interesses comuns. O curioso é que, até há pouco tempo, a morte do livro em papel era dada como certa — e, consequentemente, das livrarias. Sim, vendem-se menos livros em papel hoje do que em 2007 nos Estados Unidos, ano do lançamento do Kindle, o leitor eletrônico da Amazon. O futuro, porém, não parece ser de uma onipresença eletrônica. 

Depois de um início espetacular, o crescimento da venda de e-books nos Estados Unidos, mercado considerado um laboratório das experiências digitais, perdeu fôlego. De acordo com a consultoria PricewaterhouseCoopers, as vendas de e-books devem crescer 36% em 2013, mas apenas 9% em 2017 — embora sobre uma base obviamente maior.

“Não há mais fôlego para o e-book crescer como antes”, diz o consultor Mike Shatzkin, um dos maiores especialistas em mercado editorial digital. Não é que o consumidor vá perder o interesse, pelo contrário.

No mundo, a venda de e-books deverá movimentar 23 bilhões de dólares em quatro anos. Ainda assim, de cada dez livros vendidos em 2017, apenas dois serão eletrônicos, segundo as previsões mais respeitadas.

 Não faz muito tempo, acreditava-se que a indústria do livro sofreria o mesmo destino da indústria fonográfica. O surgimento do MP3 abalou o mercado de CDs e, consequentemente, as grandes lojas de discos. O mercado de livros, no entanto, tem se comportado de maneira diferente.

Quase metade dos livros é comercializada pela internet nos Estados Unidos. Mas apenas 23% dos americanos leem livros eletrônicos. Ou seja, a experiência da leitura digital não acompanhou na mesma velocidade o hábito de comprar livros pela internet. 

Um levantamento do instituto de pesquisas Pew Research com 3 000 leitores mostra que o livro digital leva vantagem frente ao papel em algumas situações. No caso de viagens, a maioria prefere os e-books. Quando se trata de leitura para crianças, 80% preferem as edições físicas.

Essas evidências frustraram quem contava com um futuro 100% digital. A rede de livrarias americana Barnes & Noble apostou suas fichas no Nook, leitor eletrônico lançado em 2011. A venda do aparelho e de títulos digitais, porém, tem sido uma decepção. As sucessivas quedas de venda custaram o emprego de William Lynch, que até julho presidia a empresa. Especula-se que a Microsoft esteja negociando a compra do Nook.

A previsão mais aceita atualmente é de que haverá uma convivência entre e-books e papel. “A participação do livro digital deve alcançar no máximo 40% do total de vendas”, diz Wayne White, vice-presidente da canadense Kobo, fabricante de leitores eletrônicos, com 14 milhões de usuários no mundo.

Hoje, nos Estados Unidos, a fatia dos e-books na receita do setor é de 22% — no Brasil, é de 1,6%. “O livro digital será parte do negócio, não todo ele”, diz Sergio Herz, dono da Livraria Cultura, na qual os e-books representam 3,7% das vendas. É provável que não tenhamos de explicar a nossos netos o que são livros de papel — nem o prazer que temos ao lê-los.


Fonte: Exame.com