sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ascensão dos ebooks tira do mercado 98 editoras na Inglaterra

Por Eduardo Melo em novembro 5, 2013

Talvez não sejam só as pequenas livrarias (ou livreiros?) que estão ameaçados de extinção na Inglaterra, por culpa dos ebooks. Segundo o jornal Financial Times, 98 editoras fecharam as portas na Inglaterra. 
A ascensão dos e-books e a pressão exercida por importantes varejistas para baixar preços dos livros vêm forçando um grande número de editoras na Inglaterra a deixarem o mercado, conforme sinalizou uma pesquisa realizada pela empresa de contabilidade Wilkins Kennedy. 
Por lá, 98 editoras de livros, periódicos e outros materiais semelhantes se afundaram em dívidas e fecharam neste ano –até o final de agosto. Houve um aumento de 42% na comparação anual. 
A maioria são pequenas editoras, mas algumas destas pequenas tinham relevância no mercado, segundo a matéria. A ferocidade do mercado não seleciona vítimas.
Lembrando que a Inglaterra é um país onde o varejo de ebooks é dominado pela Amazon (responsável por cerca de 90% do mercado), e onde até os autores independentes já começaram a ficar atentos para as consequências desta concentração do mercado. 
Os números mostram que o ambiente digital vem se tornando tanto um desafio quanto uma oportunidade para os editores de todo o setor, uma vez que, por um lado, é mais fácil chegar ao leitor, mas, por outro, ficou mais difícil ganhar dinheiro com eles em um mercado lotado. 
“A ascensão da Amazon e outros vendedores com grande poder de compra significa que a pressão sobre as margens dos editores agora é imensa”, disse Anthony Cork, parceiro de Wilkins Kennedy. Mas enquanto o poder de compra da Amazon pode forçar editoras a vender a preços mais baixos, também cria uma “rota” para as editoras menores chegarem ao mercado, uma vez que tem dificuldade de colocar seus livros nas grandes redes de varejo, disse Angus Phillips, diretor do Centro Internacional de Oxford para Estudos de Publicação.