sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Novo edital do MEC para tablets

Por Galeno Amorim
Está no forno do FNDE um novo edital para interessados em vender uma montanha de tablets para as escolas públicas. Será pelo sistema de registro de preços em ata. Ou seja, os selecionados poderão vender e entregar diretamente para qualquer prefeitura ou governo estadual sem a necessidade de novas licitações.
Após a entrega de 640 mil tablets para professores do Ensino Médio, desta vez serão contemplados os mestres do Ensino Fundamental, que é o dobro disso. Uma parte talvez fique para 2015.

O hábito de leitura das crianças

Por Antonio Luiz Rios
Numerosos estudos demonstram que as crianças que leem têm mais facilidade de aprendizagem e melhor rendimento escolar. Ante tal constatação e a certeza de que os livros são caminhos obrigatórios na busca do conhecimento e formação dos indivíduos, é fundamental toda iniciativa que estimule o hábito de leitura na população infanto-juvenil.

Nesse sentido, as feiras de livros cumprem missão importante, ao desenvolverem atrações lúdicas para as crianças que as visitam, seja em companhia das famílias ou nos programas coletivos organizados pelas escolas. Há toda uma magia nesse contato tão próximo entre os leitores mirins, as obras e os autores, cuja presença, autógrafos e interação com o público são fatores estimulantes ao ingresso dos pequenos no universo fascinante da leitura.

Corroborou minha crença sobre a importância para as crianças dessa integração de autores e leitores, a XVI Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, de 29 de agosto a 8 de setembro de 2013. No evento, foi possível testemunhar, em numerosas oportunidades, o encantamento que o livro pode causar no público infantil, quando apresentado como algo que instrui, educa, diverte e ensina de modo atrativo e instigante.

De modo mais especial, observei esse fenômeno ao lançarmos a coleção Biblioteca da Turma, série com seis livros multidisciplinares, voltada para o apoio didático, que trata de civilizações antigas, animais pré-históricos, esportes olímpicos, Floresta Amazônica, crianças no mundo e arte nos museus brasileiros. A alegria e a energia do contato entre o público mirim e o autor, Maurício de Souza, eram sintomas inequívocos de que Mônica, Cascão e Cebolinha estavam conquistando novos e perenes leitores. Esse caráter lúdico também reforça a importância do e-book, em suas distintas formas, como fator indutor da leitura no público infantil. Também foi possível verificar isso na Bienal do Rio de Janeiro, ao lançarmos plataformas e aplicativos. Esses livros “conversam” com a criança do século 21 numa linguagem que ela entende e gosta desde os primeiros impulsos da consciência.

Enfatizada a importância das feiras, não podemos, contudo, subestimar o insubstituível e crucial papel das escolas e das famílias no estímulo das crianças. A última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, elaborada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), com apoio da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros) e Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), mostra algo interessante: os professores são, hoje, os principais incentivadores da leitura, ultrapassando as mães, que figuram em segundo lugar.

O mesmo estudo mostra que esse processo de estímulo tem funcionado, pois no universo dos estudantes (64% da população ou 114 milhões de pessoas), o nível de leitura atingiu 3,41 exemplares per capita nos três meses anteriores à realização da pesquisa. Desse total, 2,21 livros são indicados pelas escolas, divididos em didáticos (1,72) e literatura (0,49). Com certeza, podemos e devemos avançar ainda mais, conduzindo nossas crianças e jovens ao universo do livro. Este é o caminho mais seguro para a definitiva conquista de nosso desenvolvimento; é o nosso melhor legado às presentes e futuras gerações.

*Antonio Luiz Rios, economista, é o diretor-superintendente da Editora FTD.


Artigo publicado originalmente no Jornal do Brasil em 18/09/13



sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Passeio pelo livro: entre verbos e substantivos


Não me livro desse livro, 
Porque gosto do seu gosto, 
Daí vivo com o olho vivo 
Nesse livro que não me livro! 

Começo pela orelha, é um começo e tanto... 
Caminho pelo prefácio, é um caminho fácil! 
Dou um passo e passo à frente, 
Dou um pulo e pulo a página. 

Uso a marca, mas, é ele quem me marca, 
Dou o troco, mas não troco, 
Parece cola, por que me cola? 
Leitura larga, minha mão não larga. 

Passeio entre verbos e substantivos, passeio bem instintivo.
Caminho entre preposições e conjunções, caminho cheio de ações.
Vivo entre sujeitos e predicados, vivência com muitos significados.
Encontro adjuntos e objetos, encontro carregado de afetos.

Finalmente termino... Término? Não!
Hora de novo começo, logo começo outro,
Ele me traz conforto, conforto alguém também,
Vivo nova aventura, quem se aventura além?

Não me livro desse livro,
Porque gosto da leitura,
Daí vivo com o olho vivo
No contexto desse livro!

AnaLu 
Fonte: http://leituraecontexto.blogspot.com.br

domingo, 15 de setembro de 2013

Histórias em quadrinhos podem ajudar a formar leitores, diz Instituto Pró-Livro

A gerente executiva de Projetos do Instituto Pró-Livro (IPL), Zoraia Failla, disse nesta segunda-feira, em entrevista à Agência Brasil, que as histórias em quadrinhos (HQ) podem ser uma ferramenta para formar leitores e auxiliar na educação de crianças e adolescentes. "Eu penso que dentro de um espaço de mediação, todo tipo de leitura é importante, especialmente para a gente tirar aquela imagem que se cria em relação a um livro que é oferecido em uma sala de aula e que se transforma em obrigação, em tarefa."

Zoraia acredita que o trabalho com quadrinhos dentro da escola pode quebrar um pouco a seriedade do livro, contribuindo para trazer a criança e o jovem para a leitura de uma forma mais prazerosa e interessante. "Eu acho que pode ser um meio, nunca um fim. Porque o quadrinho pode até trabalhar algum conteúdo, mas o faz de forma superficial. Como incentivo à leitura, ele pode ser um mobilizador", disse.

Para a gerente do IPL, a HQ pode desenvolver habilidades na escola, entre as quais a concentração e o interesse pela leitura em geral. "Sem dúvida, deveria ser melhor trabalhada para conseguir que, a partir dali, o aluno se interesse por uma leitura um pouco mais complexa, com mais conteúdo." Zoraia avaliou que é preciso se usar hoje todos os meios para conseguir conquistar as crianças e jovens para a leitura.

Zoraia indicou que a HQ pode ser um instrumento eficiente para passar conteúdos de disciplinas curriculares, como história, ciências e geografia, para os estudantes. "É uma forma talvez mais agradável, mais interessante, para a garotada de hoje, de levar o conhecimento". Como as crianças, em geral, sentem uma atração forte pelos quadrinhos, que são considerados uma forma de entretenimento, ela avalia que "seria inteligente usar essa ferramenta como uma forma de trazer a garotada seja para a leitura, seja para conteúdos mais complexos".

O diretor comercial da Comix Book Shop, uma livraria especializada em histórias em quadrinhos, Jorge Rodrigues, destacou a qualidade, inclusive literária, das histórias em quadrinhos feitas no Brasil. "Hoje, a gente tem crescido bastante na produção de quadrinhos nacionais. O mercado independente, onde o autor mesmo produz o seu livro, edita e lança, aumentou muito de uns anos para cá e há gráficas que imprimem com demanda menor. Com isso, há muitos projetos e ideias muito boas sendo lançadas que, de repente, não encontraram respaldo nas editoras", disse.

Rodrigues ressaltou que muitas editoras têm investido em adaptar literatura clássica para quadrinhos. "É uma vertente que tem crescido muito no mercado". O objetivo, conforme enfatizou, é que o governo compre e as escolas venham a consumir esse produto, visando que seja uma ferramenta na parte da educação. O estande da Comix na 16ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, encerrada ontem, foi um dos mais frequentados durante os 11 dias do evento, com filas extensas na porta que reuniam público de todas as faixas etárias.

O Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) supre as escolas de ensino público das redes federal, estadual, municipal e do Distrito Federal de obras e materiais de apoio à prática da educação básica, incluindo HQs. Em 2013, serão atendidas as escolas dos anos finais do ensino fundamental e ensino médio, informou a assessoria de imprensa do Ministério da Educação. O programa vai distribuir cerca de 6,7 milhões de obras literárias a mais de 68,8 mil escolas de todo o país. Os investimentos na compra dos livros alcançam em torno de R$ 66 milhões.

Em 2006, por exemplo, o Ministério da Educação incluiu livros de histórias em quadrinhos e de imagens na coleção do PNBE. Dom Quixote em Quadrinhos, de Caco Galhardo; Toda Mafalda , de Quiño; Na Prisão (mangá - quadrinho japonês), de Kazuichi Hanawa; Santô e os Pais da Aviação, de João Spacca de Oliveira; e Café Van Gogh, de Ana Maria Machado Mello & Mayer Design, foram alguns dos HQs incluídos.

Com licenciatura em desenho pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denis Mello tem experiência na aplicação de oficinas em salas de aula da rede pública de ensino, inclusive em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Sesc), utilizando a HQ e o desenho como ferramenta principal. Falando à Agência Brasil, ele disse que consegue ver como os quadrinhos despertam a curiosidade dos alunos. "Eles tendem a colaborar mais, a se interessar mais pelo assunto"

Mello salientou que a HQ é uma forma de arte. "Do mesmo jeito que as outras formas de arte podem colaborar como ferramenta de educação, a HQ também funciona. Da mesma forma que você pode usar música, literatura e pintura, você pode usar história em quadrinhos", manifestou.

Denis Mello está desenvolvendo agora, com um grupo de amigos, um projeto voltado à produção de quadrinhos educativos, que será efetuado em parceria com secretarias municipais de educação do estado do Rio de Janeiro. O projeto deverá ser iniciado em Magé. "Foi a primeira secretaria a se interessar pelo projeto". Pretende-se suprir a carência de material didático onde ela exista, nas escolas, por HQ. "Na educação ambiental, por exemplo, a gente chegaria com a história em quadrinho para suprir essa necessidade e com um material didático que vai conversar mais com os jovens do que o material burocrático tradicional".

Fonte: Blog do Galeno Amorim.

sábado, 14 de setembro de 2013

20 filmes de Charlie Chaplin para download gratuito

Bastou o preto e o branco para o ator, diretor e produtor Charlie Chaplin (1889 – 1977) registrar história e política nos seus filmes de arte durante seus 75 anos de carreira.
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Mais de 35 anos após sua morte, o Internet Archive, organização sem fins lucrativos – disponibiliza 20 filmes do grande Chaplin para download.
Entre o acervo estão os longas produzidos entre 1916 e 1919, sendo eles: “The Floorwalker”, “Police”, “The Fireman”, “The Vagabond”, “One A.M.”, “The Count”, “The Pawnshop”, “Behind The Screen”, “The Rink”, “Easy Street”, “The Cure”, “The Immigrant”, “The Adventurer”, “A Dogs Life”, “Triple Trouble”, “The Bond”, “Shoulder Arms”, “Sunnyside”, “A Days Pleasure” e “The Professor”.
Os formatos disponíveis são: MPEG4, Ogg Vídeo e Cinepack. Baixe ou assista online. Os longas estão em sua língua original, o inglês.

Emprestando eBooks

De novo a Bienal do Livro foi palco de uma boa conversa, com convidados internacionais, sobre bibliotecas na era virtual. E bibliotecas digitais que emprestem eBooks. Há quem aposte que um bom modelo de negócios na área se viabilize em dois ou três anos. Mas já há muita gente de olho no assunto. É só uma questão de tempo.

Principalmente canadenses, americanos e alemães, mas também os franceses, começaram a sondar mais de perto grupos editoriais, distribuidores e startups nacionais de olho no mercado de distribuição de livros digitais. Todos apostam que, a seguir a tendência mundial, ele deve quintuplicar em pouco tempo. Todo mundo fala com quase todo mundo. Mas nesse baile não é tão simples assim achar um bom par.

Fonte: Blog do Galeno Amorim

Boa notícia para o povo do livro

Por Deonísio da Silva

Já em 2015, para cada livro que o Ministério da Educação (MEC) comprar, as editoras terão que entregar a versão digital do mesmo título, mais conhecida por e-book, forma abreviada da expressão do Inglês electronic book, livro eletrônico. 

A mudança vai afetar consideravelmente o mercado do livro. Editoras, distribuidoras e livrarias – as três instâncias decisivas da produção, distribuição e venda - precisam adaptar-se imediatamente, preparando-se para os novos tempos.

Não nos esqueçamos de que esta lei é da evolução: sobrevive quem se adapta, não o mais forte! Não fosse assim, o senhor do mundo seria o elefante, o leão etc., não o homem! Que, aliás, nasce desamparado. E morre, se não é socorrido, como diz a escritora e psicanalista Betty Milan em seu mais recente romance, Carta ao Filho.

Leitores de qualquer lugar do país não vão mais depender do transporte do livro físico, tal como o entendemos: impresso, com capa a quatro cores, embalado em pacotes e despachado, em geral por via rodoviária, para os mais distantes lugares, uma vez que os parques editoriais estão em sua maioria sediados ainda nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde ficam as grandes editoras, ainda que uma pequena parte seja produzida também em outros estados da federação.

Galeno Amorim, ex-presidente da Biblioteca Nacional, informa no Observatório do Livro que provavelmente em 2021 o governo vá comprar os livros didáticos e paradidáticos apenas em e-book. E que em 2018 a versão impressa terá perdido a supremacia para a versão digital e se tornará uma opção, como é hoje a versão digital.

A longo prazo, os livros impressos serão um luxo, pois a versão digital será de mais fácil acesso, mais barata e estará disponível no computador ou em qualquer outro veículo onde possa ser armazenada.

Hoje, em 2013, este escritor e professor já viaja com centenas de livros disponíveis no notebook ou no telefone celular, sem que precise carregar malas cheias de volumes como fazia outrora quando passava longas temporadas fora de casa. E nem me refiro aos milhares de títulos disponíveis na internet ou nas livrarias que já vendem livros em formato digital.

Os leitores não chegam ao livro pelos autores! Quem lhes diz isso é um escritor e professor! Quem produz leitores são em geral três instituições: a Igreja, a Escola e a Mídia (Rádio, TV, Jornais, Revistas etc.).

Infelizmente, a Família brasileira não reconhece a importância estratégica dos livros na educação e na formação dos filhos. Ainda antes de ir à Escola, a criança ouve a leitura! Na Igreja, por exemplo. Em casa, ela ouve menos e não vê ninguém ler! Ainda são raras as famílias que leem para os filhos!

Também os professores devem ser preparados para o mundo digital que acaba de chegar! Quem vai conduzir os alunos à leitura digital serão eles de novo, que já fizeram isso no tempo do livro impresso.

Novos tempos batem à porta. Vai sobreviver quem se adaptar!

* Da Academia Brasileira de Filologia, escritor e professor, doutor em Letras pela USP.