quarta-feira, 9 de outubro de 2013

EM CURSO A BIENAL

Bienal 2013



A BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO está em curso, no Centro de convenções, Olinda, desde o dia 4 e se estenderá até o dia 13 deste. Apesar das dificuldades para que essa versão fosse posta em prática, alguns problemas rolaram nas águas imersíveis do lago. Entre mortos e feridos, talvez tenham se salvado todos. Isso foi transmitido pela responsabilidade do time em campo, sob a custódia dos organizadores que seguram a onda dentro dos princípios básicos da ética profissional, para que permaneça o caráter inicial e crescente das Bienais subsequentes.

A quebra de paradigmas (com raríssimas aparições de Academicistas Ilustrados) vem dando uma nova embalagem ao Evento, no momento em que desmistifica a figura distante do escritor isolado nas Academias, ou com seus diplomas enferrujados nas gavetas. A inclusão da literatura poética, ao homenagear João Batista de Siqueira, o Cancão, fenômeno poético de São José do Egito, Pajeú pernambucano. A presença de artistas da estirpe de Maciel Melo, o homem que colocou poesia nas letras de forró, para todo o Brasil. A Roda de Glosa (com o poder da palavra improvisada, sem o uso da viola). O livro O FIDALGO E O CAÇADOR, e outros poemas, do nosso mestre Chico Pedrosa, publicado pela Editora IMEPH, Fortaleza. O debate sobre Cultura Popular, promovido pela UPE, com o decisivo apoio e competência do Professor Alexandre Furtado, do Professor, poeta e especialista no assunto, Josivaldo, Ésio Rafael e a “Professora, doutora, escritora, crítica literária, especialista em literatura de cordel”, Clarissa Loureiro.

Tudo isso faz com que a BIENAL se transforme em um agente agregador das diferentes culturas, onde cada cidadão possa mostrar sem pesadelo seus traços culturais carimbados e comandados por diversos Brasis cheios de rituais, ritmos cadência, e charme. Na mesma rima a exposição das caras das pessoas que estão pondo métrica na BIENAL, propiciando um clima leve, um ambiente agradável, onde os transeuntes se sentem livres e mais próximos aos escritores. Esses fatos vêm diferenciando a BIENAL DO LIVRO aqui em Recife, de outras que ocorrem no Brasil.

Pena que os Professores das redes oficiais de Ensino de Pernambuco não tenham participado esse ano, justo que o governo cortou o bônus a eles destinado, retirando a oportunidade do poder de compras e manipulação de livros, com as suas próprias mãos em cada stand, ou praça de alimentação, deliciosamente, curtindo um bem imaterial de grande valor acima de qualquer suspeita.
Apesar da queda de visitantes, compradores e simpatizantes, na medida em que quebra uma corrente que vinha dando certo, destacando Pernambuco, o objetivo maior está sendo tocado pra frente, graças ao empenho, a sensibilidade de seus organizadores, no sentido de que essa manifestação literária do Estado, permaneça por muito tempo, nas margens da lembrança de todos os pernambucanos ligados à literatura poética.

Vida longa à BIENAL. Que se encontre uma fórmula de fundir escritores, poetas, artistas, músicos, das mais variadas fontes da sociedade, abrindo portas para o possível e para corações e mentes.
Vida longa para a BIENAL, longe da força do poder autoritário. Vida longa para a BIENAL que une força do bem, que procura fundir os pensamentos mais adversos, sem distinções de dentro, ou de fora das Academias. Fora os arrebitados narizes, mas fora também a apologia ao voto de pobreza, ao populismo chula, ao “complexo de vira lata”.

Vida longa à BIENAL, da harmonia, do entendimento, da celebração da beleza, dentro de um ambiente propício à inteligência humana! Né véi?

Publicado por Luiz Berto em INDEZ - Ésio Rafael