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sábado, 14 de setembro de 2013

Boa notícia para o povo do livro

Por Deonísio da Silva

Já em 2015, para cada livro que o Ministério da Educação (MEC) comprar, as editoras terão que entregar a versão digital do mesmo título, mais conhecida por e-book, forma abreviada da expressão do Inglês electronic book, livro eletrônico. 

A mudança vai afetar consideravelmente o mercado do livro. Editoras, distribuidoras e livrarias – as três instâncias decisivas da produção, distribuição e venda - precisam adaptar-se imediatamente, preparando-se para os novos tempos.

Não nos esqueçamos de que esta lei é da evolução: sobrevive quem se adapta, não o mais forte! Não fosse assim, o senhor do mundo seria o elefante, o leão etc., não o homem! Que, aliás, nasce desamparado. E morre, se não é socorrido, como diz a escritora e psicanalista Betty Milan em seu mais recente romance, Carta ao Filho.

Leitores de qualquer lugar do país não vão mais depender do transporte do livro físico, tal como o entendemos: impresso, com capa a quatro cores, embalado em pacotes e despachado, em geral por via rodoviária, para os mais distantes lugares, uma vez que os parques editoriais estão em sua maioria sediados ainda nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde ficam as grandes editoras, ainda que uma pequena parte seja produzida também em outros estados da federação.

Galeno Amorim, ex-presidente da Biblioteca Nacional, informa no Observatório do Livro que provavelmente em 2021 o governo vá comprar os livros didáticos e paradidáticos apenas em e-book. E que em 2018 a versão impressa terá perdido a supremacia para a versão digital e se tornará uma opção, como é hoje a versão digital.

A longo prazo, os livros impressos serão um luxo, pois a versão digital será de mais fácil acesso, mais barata e estará disponível no computador ou em qualquer outro veículo onde possa ser armazenada.

Hoje, em 2013, este escritor e professor já viaja com centenas de livros disponíveis no notebook ou no telefone celular, sem que precise carregar malas cheias de volumes como fazia outrora quando passava longas temporadas fora de casa. E nem me refiro aos milhares de títulos disponíveis na internet ou nas livrarias que já vendem livros em formato digital.

Os leitores não chegam ao livro pelos autores! Quem lhes diz isso é um escritor e professor! Quem produz leitores são em geral três instituições: a Igreja, a Escola e a Mídia (Rádio, TV, Jornais, Revistas etc.).

Infelizmente, a Família brasileira não reconhece a importância estratégica dos livros na educação e na formação dos filhos. Ainda antes de ir à Escola, a criança ouve a leitura! Na Igreja, por exemplo. Em casa, ela ouve menos e não vê ninguém ler! Ainda são raras as famílias que leem para os filhos!

Também os professores devem ser preparados para o mundo digital que acaba de chegar! Quem vai conduzir os alunos à leitura digital serão eles de novo, que já fizeram isso no tempo do livro impresso.

Novos tempos batem à porta. Vai sobreviver quem se adaptar!

* Da Academia Brasileira de Filologia, escritor e professor, doutor em Letras pela USP.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Economia criativa e perspectivas para pequenas editoras


POR EDNEI PROCÓPIO

Acima de questões como interface, acesso, quantidade e distribuição de exemplares digitais talvez esteja aquela que irá forjar o verdadeiro e novo mercado editorial: a questão da precificação dos livros.

Eduardo Melo, da Simplíssimo Livros, ensinou-me como traçar um paralelo entre a crise econômica mundial atual e o fortalecimento do mercado de eBooks através da popularização do preço de capa dos livros. Aprendi, em uma de suas palestras, que crises econômicas mundiais geralmente influenciam diretamente no consumo dos livros. Desde as Primeira e Segunda Guerra Mundial, passando pelas primeiras crises do petróleo [1972 e 1975], houve alteração no preço de capa do livro na versão paperback que, inclusive, culminou com a criação do livro, impresso, em formato pocketbook, mais barato e acessível que o seu antecessor.

Refletindo um pouco mais sobre o assunto, tal tese me fez concluir que, se realmente existe um reflexo paralelo no consumo dos livros em época de crises econômicas, os contextos econômicos mundiais influenciam diretamente no consumo de produtos culturais de maneira ainda mais intensa em comparação a outros mercados, tornando-os assim ainda mais acessíveis. E a tendência, no Brasil, é que haja uma ascensão na quantidade e qualidade de títulos disponíveis, a preços bem populares, tal qual ocorreu com o mercado de aplicativos para dispositivos móveis.

O mercado econômico brasileiro, porém, de um modo geral deve passar, em minha opinião, por mais uma forte retração futura que influenciará mais uma vez no rumo do mercado editorial, antes que haja uma consolidação efetiva do consumo de eBooks no país.

As perspectivas para os eBooks pelo mundo não diferem do nosso país uma vez que vivemos uma época de economias globalmente interligadas. O que nós sabemos é que multinacionais como Kobo, Google e Amazon continuarão influenciando os mercados regionais na tentativa expandir ainda mais os seus domínios e consolidar suas marcas. O que ainda falta saber é como pequenas e médias empresas editoriais, regionais, irão sobreviver a uma ruptura no mercado de consumo marcada por uma falta de regulamentação dos Governos que, em tese, poderia até talvez sair em defesa de suas empresas internas.

Por trás de toda a revolução em andamento causada principalmente pelo advento e avanço da Internet, ainda existem as leis que regem o livre mercado, a livre concorrência. Mas creio poder ainda assim haver sim um estabelecimento de parâmetros mínimos para o mercado, para dar respaldo a toda cadeia produtiva do livro, embora não fosse possível influenciar diretamente em cada um dos novos modelos de negócios que estão sendo testados pelo próprio mercado. Assim, o que resta ainda saber é de que modo pequenas e médias empresas podem sobreviver encontrando caminhos alternativos. Apenas com criatividade e empreendedorismo?

A tecnologia na interface dos livros
Um dos itens que mais poderão influenciar o rumo do mercado de livros nesta economia criativa de escala global, sem sombra de dúvida é a tecnologia já que esta superou por si mesma os limites de adoção perante o mercado consumidor.

Dispositivos de uma variedade impressionante de tamanhos, pesos, espessura e desempenho fazem hoje parte do dia-dia de milhares de usuários que consultam simultaneamente informações sobre o trânsito, o clima, a cotação do dólar, etc., em tempo real aos acontecimentos diários de suas vidas nas cidades. Nenhum acontecimento público de elevada proporção fica sem o registro imediato de centenas de testemunhas que, ainda mais rápido que a imprensa, divulgam ocorrências em vídeos, fotos e áudios numa escala quase que desproporcional ao nível de consumo destas mesmas informações. Tudo isso através de uma gigantesca rede social chamada Internet.

Algo bastante importante a ser levada em conta neste contexto é a questão da interface entre o leitor e o conteúdo do livro. Esta interface pode estar atrelada tanto ao conteúdo, por conta da diagramação dos livros utilizando as ricas plataformas de autoria e edição; mas podem estar também atrelada às limitações técnicas ou possibilidades do próprio dispositivo onde o livro será lido. Certo, porém, é afirmar que o aplicativo é o limite entre o conteúdo e o dispositivo.

Vencida a questão primária de um modelo de negócios sustentável, uma empresa de mídia editorial precisa focar os seus esforços em criar uma interface no mínimo padrão tanto para a criação quanto para o consumo dos livros.

Os livros tem, a seguir, que conquistar um novo espaço na agenda diária dos consumidores modernos que podem optar por uma leitura talvez mais lenta, mais íntima, mais densa. Para alcançar o leitor disposto a trocar algumas horas de seu dia pela leitura de um eBook, o mercado editorial deverá buscar a diversidade.

O novo leitor baixa cerca de dois mil aplicativos por segundo através da Internet e, para superar o desafio da escalabilidade de conteúdo versus qualidade editorial, se faz necessário o foco nos negócios voltados a uma rica bibliodiversidade. A diversidade de conteúdo, de catálogo, de títulos, de novos autores e novas conversas, que possam atrair a atenção deste novo leitor um tanto mais disperso, é um dos caminhos para os pequenos negócios. Talvez deste desafio renasça um novo e próspero período para todo o mercado editorial, antes mal acostumado, e acomodado, com o antigo sistema de produção de obras em versão impressa.

Livros via interfaces
O Brasil já alcançou mais de 250 milhões de linhas telefônicas para celulares. Pelo menos 20% deste efetivo vem de linhas chamadas pós-paga; próximo dos 10% temos as chamadas linhas 3 ou 4G.

Uma tecnologia básica, no entanto, atinge quase que 100% dos clientes das operadoras que oferecem serviços de telefonia em nosso país: os serviços de SMS. Embora o número de dispositivos smartphones tenha superado o de aparelhos celulares mais simples, mensagens curtas, de no máximo 140 letras ou caracteres [inspiração para o Twitter, inclusive], poderiam eventualmente servir para o tráfego de literatura [e-shorts stories] através dos celulares.

O mercado de mídia está sempre na fronteira da alta tecnologia, e na dependência do que realmente é utilizado pela maioria dos usuários. Estágios intermediários entre eles podem configurar, com uma boa dose de criatividade, possibilidades inúmeras nos campos da publicação, comercialização e divulgação dos livros.

Para os celulares, aparelhos mais simples que os smartphones, ao contrário do Japão, por exemplo, não houve o desenvolvimento, no Brasil, de um case de sucesso que usasse a transmissão de textos literários utilizando a tecnologia SMS. Antes de fundar a Simplíssimo Livros, o próprio Eduardo Melo esteve envolvimento com um projeto que pudesse suprir este tipo de carência.

Enquanto tecnologias novas de comunicação através de aplicativos como WhatApp e Skype vão se tornando populares e onipresentes, a tecnologia SMS poderia ser usada para a publicação de micro narrativas, haicais, salmos, e uma infinidade de frases de efeito utilizadas em livros de autoajuda, por exemplo. É claro que ler um texto na tela de um celular, antes dos aparelhos ganhar um aumento no ganho de tela, era um sacrifício. Mas, com a melhora na legibilidade das écrans, tornou-se possível, por exemplo, usar esta tecnologia básica para a divulgação de livros e escritores.
Mesmo não sendo tecnologicamente possível o tráfego de livros inteiros utilizando a transmissão SMS, é possível utilizar-se desta plataforma já amplamente difundida para atrair a atenção de milhares de leitores antes um tanto indecisos, para não dizer perdidos, com relação a escolha do seu próximo livro.

E este é apenas um exemplo de como enxergar de um modo mais amplo o mercado de livros como um mercado de conteúdo voltado para o digital. A ideia é usar toda a tecnologia existente como um meio para se levar livros às pessoas. E os meios tecnológicos formam a interface entre os dispositivos e os conteúdos por escritores criados.

O livro, enfim, está livre
Os novos negócios para as editoras brasileiras neste sentido é, no presente, o cerne de um cenário esplêndido de oportunidades. Se, no passado, o suporte papel assumia o modo como entregávamos os nossos livros, agora esse modo de entrega se dá através de uma infinidade de écrans em uma miríade de suportes e dispositivos digitais. O livro finalmente superou a mídia, e está agora disponível para além das mídias.

E, estando livre, o livro pode ser melhor explorado por escritores, editoras e leitores. A exploração comercial, por sua vez, pode alcançar um patamar de audiência nunca antes atingido pelo mercado editorial convencional, que sempre se restringiu e limitou-se a logística de um suporte caro, pesado e inacessível. Muito pouco democrático, inclusive para as pequenas editoras.

Neste cenário do livro além do livro, o maior desafio é manter a escala de consumo dos títulos digitais acima da média em número de exemplares comprados, já que o preço de capa das obras estará abaixo dela. Superadas às limitações técnicas, de bibliodiversidade, de política precificatória, o eBook terá finalmente se consolidado como uma mídia rica, e interativa, em todos os sentidos para o leitor final.

Fonte: eBook Reader

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Templo do livro, modelo em xeque

Por Maria Fernanda Rodrigues
Bibliotecários do Reino Unido ficaram em polvorosa com uma recente declaração do escritor inglês Terry Deary. Autor de obras infantis e juvenis, publicadas inclusive no Brasil, ele disse: "As bibliotecas tiveram seu momento. Elas são uma ideia vitoriana e estamos na era digital. Ou mudam e se adaptam ou deverão ser fechadas. Muito da chiadeira atual é sentimentalismo". A realidade de seu país em crise, onde as bibliotecas sofrem com corte de verba e encerramento de atividades e brigam com editoras pela questão do empréstimo de e-books, é bem diferente da brasileira.

Aqui, a briga é para zerar o déficit de bibliotecas. De acordo com o Censo Nacional de Bibliotecas Municipais, de 2010, 20% das cidades não contam sequer com uma sala de leitura. O dado é ainda mais preocupante nas escolas públicas. O Censo Escolar mostrou que 72,5% ficam devendo esse espaço para seus alunos - existe uma lei que determina que até 2020 essa questão seja resolvida. Outro desafio é a conquista de novos leitores. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 75% dos brasileiros jamais pisaram numa biblioteca. O mesmo levantamento mostrou que 20% dos entrevistados frequentariam uma, se houvesse livros novos. Mas nada convenceria 33% a fazer isso.

"A biblioteca não é um organismo à parte na constituição de uma sociedade: a biblioteca é reflexo dela e responde a ela. Por isso é que temos tão poucas bibliotecas no Brasil", comenta Maria Antonieta Cunha, especialista no assunto e desde 2012 à frente da Diretoria do Livro, Leitura e Literatura, órgão subordinado à Fundação Biblioteca Nacional. Mas o Brasil é, claro, um país grande e desigual, e também no que diz respeito ao acesso a livros vive, simultaneamente, passado, presente e futuro. Enquanto uns correm para resolver essas questões básicas e urgentes, outros veem o momento em que será possível emprestar um livro digital de uma biblioteca e lê-lo no e-reader, tablet ou celular.

Isso ainda está distante das bibliotecas de obras gerais - algumas oferecerem livros em domínio público para download, mas isso é simples. É, porém, realidade para estudantes da FMU (SP), Universidade de Passo Fundo (RS) e Cândido Mendes (RJ), entre outras, que usam o serviço da Minha Biblioteca, uma plataforma criada por editoras concorrentes, mas que se uniram para desbravar esse mundo novo.

Participam do consórcio quatro das cinco maiores do segmento CTP (Científico, Técnico e Profissional): Saraiva, Atlas, Grupo A e Grupo Gen. São 4 mil títulos e 2 modelos de negócios. No primeiro, a instituição de ensino paga à Minha Biblioteca um valor mensal por aluno para que eles possam ler, quando quiserem e ao mesmo tempo, todos os títulos do acervo. No segundo, disponível a partir de abril, a universidade escolhe quais títulos e quantos exemplares deseja adquirir. Se optar por cinco exemplares de determinado e-book, por exemplo, apenas cinco alunos poderão emprestá-lo simultaneamente, tal qual acontece com o livro físico.

Quando foi criada, há 18 meses, a Minha Biblioteca já tinha concorrente: a Biblioteca Virtual Universitária, do grupo Pearson que agora conta com a parceria da Artmed, Manole, Contexto, IBPEX, Papirus, Casa do Psicólogo, Ática e Scipione. Lá, são 1.400 títulos. A Companhia das Letras, que pertence ao grupo Pearson, também está no projeto. Mas não oferece seus títulos, e sim obras em domínio público.

O impasse é que, fechando com a Minha Biblioteca ou com a Biblioteca Virtual Universitária, seus estudantes só terão acesso aos livros das editoras participantes, restringindo o uso de uma bibliografia completa e diversificada. Ideal seria que as instituições tivessem as próprias plataformas e unificassem os catálogos das editoras. Mas elas se ocupam hoje de preparar seus e-books para difundir a produção de pesquisadores e alunos. Quem quiser lê-los, basta fazer o download e já ganha o arquivo. Ou seja, uma operação um pouco diversa do empréstimo de um livro. O modelo é incipiente, mas os números da editora Unesp são animadores. Desde março de 2010, quando criou o selo digital Cultura Acadêmica, já publicou 137 títulos exclusivamente em formato digital e registrou mais de 299 mil downloads. Enquanto isso, nos Estados Unidos, Robert Darnton, diretor da Biblioteca de Harvard, e sua equipe acertam os últimos detalhes da inauguração, em abril, da gigante Biblioteca Pública Digital Americana.

De volta ao Brasil, há ainda universidades e escolas que dão tablets aos alunos - caso da Estácio de Sá. A parceria para conteúdo é da Pasta do Professor, projeto criado pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos para coibir as cópias, e que tem a adesão de várias editoras.

A questão da remuneração é apontada por editores como um dos principais entraves para que o empréstimo de e-book para o público em geral tenha seu início no Brasil. Este é um problema que ainda não foi resolvido nos Estados Unidos e Reino Unido. Quando muito usado, o livro físico é substituído por um novo, comprado da editora. A duração de um e-book é indefinida. Por isso, os preços do produto são mais altos. Um lançamento em e-book pode custar às bibliotecas de US$ 65 a US$ 85, pelo menos quatro vezes mais do que as livrarias vendem ao consumidor.

O imbróglio é acompanhado por casas brasileiras de fora do segmento CTP, e editoras - como a Companhia das Letras, Intrínseca, Leya e as que integram a Distribuidora de Livros Digitais (DLD), entre as quais Record e Objetiva - ainda não se mobilizam pela causa. "Não temos planos imediatos para oferecer serviços de empréstimo, mas sabemos que é uma questão de tempo", diz Roberto Feith, presidente da Objetiva e do conselho da DLD. Ele conta, porém, que a distribuidora já levantou modelos operacionais e financeiros de negócio desenvolvido pelas principais editoras globais. "Existem modelos bastante diferentes entre si, mas ainda não há um consenso ou modelo predominante. Vamos observar essa evolução para, eventualmente, escolher a melhor solução para nosso mercado", diz. Ao seu lado nessa investigação está a Pasta do Professor.

Editoras assistem e esperam, e livrarias se agilizam. "Não podemos falar muito agora, mas certamente está no radar da Cultura oferecer serviços desse porte com a Koko. Estamos estudando", adianta Rodrigo Castro, diretor comercial da Livraria Cultura. É um projeto "para o ano", e deve incluir o aluguel da obra toda ou de capítulos. Com essa iniciativa, a Cultura dá um passo para o futuro ao mesmo tempo em que retorna às suas origens - foi emprestando livros que Eva Herz começou o negócio da família. A Saraiva, que tem o know-how do aluguel de filmes pela internet, também estuda o caso.

Enquanto isso não se realiza, a Nuvem de Livros, criada pela Gol Mobile em 2011, segue como a única biblioteca virtual para leitores que querem acompanhar as novidades literárias. O problema é que ela se restringe a clientes da Vivo ou de alguns outros parceiros da empresa. Para ter acesso a cerca de 7 mil conteúdos - livros representam 80% do acervo -, o assinante paga em média R$ 4,99 por mês. Hoje, são 400 mil usuários, mas Roberto Bahiense, diretor de Relações Institucionais, acredita que até o fim do semestre a biblioteca terá 1 milhão de associados. Até lá, a rede de ensino de duas cidades brasileiras terá aderido ao projeto e dará senhas a seus alunos.

Quem também se beneficia de bibliotecas virtuais são as pessoas com deficiência, já que apenas 9% das bibliotecas do País têm livros acessíveis a elas. "Nossas quase mil teleaulas já estão em libras e o próximo passo é adotar o formato Daisy para livros", conta o diretor da Nuvem de Livros. ???Adotado pelo MEC, o Daisy é um modelo internacional em que o livro vem em CD com duas funcionalidades principais: a visualização em diferentes tamanhos e a narração do texto. "A popularização do e-book beneficia pessoas cegas e com baixa visão", comenta Susi Maluf, gerente-geral da Fundação Dorina Nowill.

Outro futuro

Nem só de tecnologia é feita a biblioteca do futuro. Uma grande discussão sobre seu papel e a função do bibliotecário e dos mediadores de leitura ganha espaço no Brasil, que emprestou da Colômbia o modelo de biblioteca parque, espaço comunitário de convivência em torno do livro. A pioneira no País é a de Manguinhos, aberta em 2010. Depois vieram a de Niterói e a da Rocinha, que estava agitada na sexta-feira véspera de carnaval: crianças corriam cantando pelos cinco andares do prédio, faziam fila para usar a internet, se esparramavam nos sofás para ver um filme. Enquanto isso, José Cleyton, de 15 anos, tímido, chegava para devolver os cinco livros que tinha emprestado e para escolher mais alguns. Ele é leitor novo - descobriu o mundo da literatura há seis meses, quando a biblioteca foi inaugurada e foi conferir a novidade com o irmão.

Apesar da insistência da mãe para que lesse mais e dos conselhos de um professor, que dizia que a leitura tornava as pessoas mais inteligentes, Cleyton, assim como muitos garotos de sua idade, achava chato ler. "Quando vi esse monte de livro pela primeira vez, fiquei muito impressionado. É tudo muito bonito. Se não fosse isso, ia ficar em casa e nunca ia saber que ler era tão bom", diz o garoto que vai descobrindo, a seu tempo, os títulos nas coloridas prateleiras. "Primeiro olho a capa para ver se o livro tem personalidade. Aí começo a ler o texto e o livro me personaliza", conta, encantado. Suas preferências? "Gosto de ler comédia e ação".

A falta de familiaridade de Cleyton com termos literários causaria estranheza a bibliotecários tradicionalistas, mas dá pistas de quem é - ou de quem poderia ser - a nova geração de frequentadores de biblioteca. Reflete também a filosofia do espaço que ele frequenta. "Nossas bibliotecas têm o livro como ponto de referência de conhecimento. Nelas, os usuários têm a possibilidade de ler um roteiro, participar de uma oficina de narrativas cênicas e de assistir ao filme. O desenvolvimento cultural fica mais fácil assim", explica Vera Saboya, superintendente da Leitura e do Conhecimento da Secretaria de Cultura do Estado do Rio. O modelo continua dando cria. Será inaugurada ainda este ano um outro exemplar no Morro do Alemão. E já está quase pronta a reforma da Biblioteca Pública do Estado, que reabre logo mais com essa nova filosofia. A ideia é ter ainda bibliotecas parque nas principais regiões fluminenses.

Construída onde antes era o presídio do Carandiru, a moderna Biblioteca de São Paulo completou esta semana três anos e já pensa em ampliar seus espaços para ter, por exemplo, mais salas de cursos. Lá, os visitantes podem usar os e-readers da instituição, mas a oferta de e-books é restrita à obras de domínio público. "Os e-readers não têm tanta procura como imaginávamos", conta Adriana Cybele Ferrari, coordenadora da Unidade de Bibliotecas e Leitura da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. "Muitos associam o futuro das bibliotecas com o livro eletrônico, mas o futuro é elas acontecerem de verdade como espaços de pessoas, de difusão, de reunião, de conhecimento", avalia.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,templo-do-livro-modelo-em-xeque,1000324,0.htm

domingo, 2 de setembro de 2012

Fundação Biblioteca Nacional entrega 1,89 milhão de livros a 2,5 mil bibliotecas públicas


A Fundação Biblioteca Nacional (FBN/MinC) realizou um balanço da primeira etapa do Programa de Acervos de Bibliotecas, analisando as melhorias e dificuldades a partir da adoção da nova fórmula para compra de livros para as bibliotecas estaduais, municipais, comunitárias e pontos de leitura.

O programa, que se iniciou em dezembro de 2011 com a criação do Cadastro Nacional de Bibliotecas Públicas, do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), órgão vinculado à FBN, tem muito a comemorar, em especial o fato de que os livros escolhidos serão distribuídos a bibliotecas que atendem a uma população de mais de 110 milhões de brasileiros, ou quase 60% da população do país.

Nesta primeira fase, foram comprados 1.899.402 livros para cerca de 2,5 mil bibliotecas de 1,7 mil municípios de todo o país. Se a Fundação Biblioteca Nacional comprasse essa mesma quantidade de livros com o valor médio empregado no pregão de compras realizado em 2010, que foi de R$ 44,00, o valor gasto passaria de R$ 17,2 milhões para R$ 83,5 milhões, uma economia de 384%. O preço médio do livro habilitado a participar do Programa pelas editoras foi de R$9,08.

Outro dado, é que mais de 60% dos pedidos feitos pelas bibliotecas foram para livrarias independentes, aquelas que não fazem parte de nenhuma grande. "Isso significa que um dos principais objetivos do programa, que era fomentar e fortalecer o ponto de venda, em especial aqueles nas menores cidades, foi alcançado", diz Amorim.

Na visão do Presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, o mais importante foi a mudança de paradigma criada a partir do momento que os bibliotecários responsáveis pelas bibliotecas passaram a escolher diretamente os livros. "Ninguém melhor que o bibliotecário, que está no atendimento diário de seus leitores, que conversa, entende suas demandas, para dizer quais os livros que vão interessar ao público de uma determinada localidade".

Entre os autores mais escolhidos, Machado de Assis lidera o ranking, seguido de Celso Antunes, José de Alencar e William Shakespeare. Os temas mais escolhidos foram literatura brasileira, educação e literatura portuguesa.

A equipe da FBN também detectou, durante o projeto piloto, que há segmentos do mercado ainda não atendido pelas editoras e livrarias, mas que mostra grande potencial. O Nordeste, por exemplo, foi a segunda região em distribuição dos pedidos (28,28%), a frente da região sul (20,26%), só perdendo para a região sudeste (41,73%). A região Centro Oeste representou 5,22% dos pedidos e a Norte 4.50%. Entre as histórias identificadas, uma evidência o valor do livro como um fator que distancia leitor e livros. Tivemos uma livraria que disponibilizou um lote de livros de baixo preço (R$10,00) e em menos de uma semana todos eles estavam vendidos. Isso comprova que quando o mercado disponibiliza um produto com boa qualidade e preço baixo o consumidor responde imediatamente", afirma Amorim.

Mesmo com todos os dados positivos, o Programa de Acervo de Bibliotecas também encontrou dificuldades, em especial na distribuição. Em um país com dimensão continental como o Brasil, o grande entrave para que o livro chegue à população fora dos grandes centros é a falta de infraestrutura e de canais de distribuição.

Outra dificuldade encontrada foi o fato de que muitas bibliotecas, em especial as localizadas nas regiões mais afastadas dos grandes centros, não realizaram ou não finalizaram os seus cadastros por terem dificuldades para utilizar as ferramentas web.

Para mais informações, acesse a apresentação virtual com os dados do balanço:
http://prezi.com/d706nynuufde/apresentacao-22a-bienal-de-sao-paulo/. 

Fonte: http://www.administradores.com.br