Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta biblioteca digital. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta biblioteca digital. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

UNESP oferece canais online com cursos e downloads gratuitos

Quando precisamos pesquisar alguma coisa, a internet nos dá tantas possibilidades que às vezes, ficamos perdidos. Uma boa dica para ajudar na pesquisa de trabalhos acadêmicos são oscanais online da Universidade Estadual Paulista.
UNESP possui uma série desses canais online em que disponibiliza as mais variadas formas de acesso ao conhecimento acadêmico, além da graduação mediante vestibular.
São plataformas, incluindo TV e biblioteca digital, em que são oferecidos regularmente cursos livresministrados por docentes da instituição, downloads gratuitos, consultas, pesquisas e muito mais.
Veja abaixo como ter acesso online e gratuito ao conhecimento produzido pela UNESP:
Oferece cursos livres, que podem ser concluídos por qualquer pessoa em qualquer lugar com acesso à internet. É um ambiente de aprendizagem on-line e gratuito que oferece a oportunidade de formação e aperfeiçoamento em diversas áreas do conhecimento. Não oferece assessoria pedagógica (tutoria), avaliação e certificação.
A Univesp TV, televisão online da TV Cultura, disponibiliza gratuitamente cursos e palestras de temas variados, como história, matemática, ciências sociais e música. No site, é possível assistir vídeo-aulas que fazem parte dos cursos de graduação e pós-graduação ministrados na UNESP por docentes da própria Universidade. Há também cursos de extensão, mesas redondas sobre atualidades e conteúdos ligados a universidades estrangeiras.
Possibilita o acesso aberto à produção científica, acadêmica, artística, técnica e administrativa da Universidade. Contempla a produção científica da Universidade, de 1976 aos dias atuais, com mais de 80 mil registros.
O projeto surgiu há alguns anos como um selo da Fundação Editora UNESP, que tem como carro chefe a Editora UNESP, existente desde 1987. No entanto, a principal diferença do Cultura Acadêmica é a sua versão digital, que auxilia na ampliação de projetos acadêmicos por meio de downloads gratuitos dos livros. Todos os conteúdos disponíveis foram produzidos nas Faculdades que integram a UNESP e receberam uma supervisão de peso, formada por um conselho editorial e uma comissão científica durante todo o processo de elaboração.
É o acervo digital de livros que a UNESP disponibilizou gratuitamente na web. São cinco categorias de títulos: Hemeroteca, Livros, História de São Paulo, Mapas de São Paulo e Música. A iniciativa surgiu da parceria entre a Biblioteca Nacional, o Arquivo Público do Estado de São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade.
Acesso gratuito a todo tipo de material produzido pela UNESP, seja livro, documento, objeto educacional e conhecimentos variados. A busca pode ser refinada por assunto, autor, título ou data da edição. Quem for estudante ou docente da UNESP, pode disponibilizar seu próprio material acadêmico no site para futuras consultas.
Ajudou? Esperamos que sua pesquisa fique mais fácil com esses acessos ao conhecimento da UNESP.
Bons estudos!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Biblioteca Mundial da Ciência


Recursos didáticos aplicáveis ao ensino de ciências são sempre necessários e bem-vindos. Por isso, é de se aplaudir a iniciativa da Unesco – a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) voltada para o desenvolvimento da educação, ciência e cultura –  de criar e disponibilizar na internet a Biblioteca Mundial da Ciência (Word Library of Science – WLOS). 

O objetivo principal é criar uma comunidade global de usuários interessados em ciência, que possam contribuir para o projeto e ‘alimentar-se’ dele.

Visite a biblioteca virtual e confira. O projeto ainda está em fase inicial (foi lançado nesta semana), mas já disponibiliza 25 livros (e-books), cerca de 300 artigos e mais de 70 vídeos e animações, que certamente vão interessar os apaixonados pela ciência e auxiliar professores e alunos, principalmente, os do ensino médio.

Dê uma olhada especial nos vídeos e animações já disponíveis. São produções daNature Education, a divisão de educação daNature, grupo editorial que publica uma das mais importantes e consagradas revistas científicas. 

Entre eles, encontra-se, por exemplo, Betting on the cosmos (Apostando no cosmos), vídeo no qual os físicos Robert Betts Laughlin e David Jonathan Gross, ganhadores do Nobel de Física em 1998 e 2004, respectivamente, debatem o que teria acontecido logo após o Big Bang e discutem como testar as grandes ideias da física sobre o universo.

Leia mais em: http://cienciahoje.uol.com.br e/ou acesse a Biblioteca http://www.nature.com/wls


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Bibliotecas digitais: um novo mercado que se abre

Por PublishNews - 11/02/2014 - Leonardo Neto

Iniciativas no âmbito digital prometem dar fôlego extra à venda de e-books no Brasil

O Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais do Brasil, realizado em 2010 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que 79% dos municípios brasileiros têm, pelo menos, uma biblioteca municipal. Em média, elas fazem modestos 296 empréstimos por mês. O reflexo disso na indústria editorial, até agora, era muito pequeno: a mesma pesquisa mostra que apenas 17% dos acervos das bibliotecas municipais são resultado de compras, contra 83% de doações. Mas algumas iniciativas no âmbito digital prometem mudar esse cenário. Na manhã de hoje, os editores cariocas conheceram a novíssima Biblioteca Xeriph, criada pela distribuidora de livros digitais de mesmo nome. O foco é exatamente as bibliotecas municipais e corporativas. A favor do projeto, está a cartela de clientes da Xeriph que hoje conta com 280 editoras, com catálogos bastante diversificados.
 
Carlos Eduardo Ernanny, diretor da Xeriph, aponta que o grande diferencial da nova biblioteca digital é que ela não é focada ou especializada em educação. “Somos a primeira biblioteca de e-books no Brasil não pensada exclusivamente nos estudantes”, explica. Outras iniciativas como Minha Biblioteca, Pasta do Professor e Árvore de Livros [que deve entrar em operação em março] têm como foco principal escolas ou universidades. Neste aspecto, o negócio daXeriph é mesmo diferente. O Censo da FGV mostrou que apenas 8% das pessoas que frequentam bibliotecas vão para lazer e é essa fatia que a Xeriph quer fazer crescer e, depois abocanhar. “Não é que o brasileiro não lê. Ele quer ler, mas não tem acesso ao livro”, defende Carlos Eduardo. O executivo lembra ainda que a quantidade de bibliotecas que abrem fora do horário comercial é irrisória. O censo da FGV fala de apenas 12% das bibliotecas funcionam aos sábados, por exemplo. “A população economicamente ativa não tem acesso à biblioteca e é isso que queremos mudar.O nosso modelo tem capacidade real de transformar o perfil das bibliotecas no Brasil”, promete o diretor. E já que as bibliotecas digitais nunca fecham, funcionam sete dias por semana, 24 horas por dia, o executivo defende que uma biblioteca que tinha 300 acessos por mês poderá ter 5 mil usuários ativos.
 
A plataforma da Xeriph foi viabilizada depois da compra da empresa pelo Abril Mídia, em maio passado. No projeto, foram empregados R$ 1,5 milhão e a plataforma já está pronta, de acordo com Carlos Eduardo. “Já estamos em negociação com uma grande empresa que tem operações dentro e fora do Brasil e ainda com o sistema de bibliotecas de uma grande cidade brasileira. Assim que fechar o contrato, colocamos a plataforma em operação”, conta. Por questões contratuais, a Xeriph não pode ainda revelar os nomes dos seus clientes em potencial.
 
Modelo de negócios
 
“A nossa grande missão era encontrar uma prática rentável para as editoras”, conta Carlos Eduardo. Para chegar a um modelo de negócio que atendesse esse demanda, foi criado um pool de dez editoras já clientes da Xeriph. Durante oito meses, diversos modelos de negócios foram submetidos a esses parceiros, que escolheram duas formas de vendas. Na primeira delas, a biblioteca compra a plataforma e o acervo, a partir do catálogo das editoras. Cada livro, comprado a preço de capa, poderá ser emprestado para apenas um usuário por vez, por 14 dias. Findado o prazo, o livro é compulsória e automaticamente devolvido. A segunda opção é comprar a plataforma e ter os livros por subscrição, ou seja, a biblioteca paga pelo acesso que seus usuários fazem ao livro. No modelo de subscrição, a editora será remunerada pela audiência. Cada vez que um livro for emprestado, a biblioteca paga uma taxa à Xeriph, 60% desse valor é repassado às editoras. Nos dois casos, o usuário não pode fazer mais de dez downloads ao mês e nem emprestar mais de 5 livros de uma só vez. De acordo com Carlos Eduardo, essa é uma maneira de não atrapalhar o negócio de livreiros.
 
A plataforma permite que quando o usuário clique no livro que tem interesse, ele não vê apenas a capa, a sinopse e outros metadados, mas também a fila de espera do livro. Se há mais de 25 pessoas na fila e apenas um exemplar adquirido, isso implica que o 26º usuário vai ter que esperar mais de um ano para ter acesso ao título desejado. Assim, o bibliotecário pode tomar a decisão de comprar outros exemplares, isso tudo de forma muito simples, a um clique. “A fila é um termômetro: uma fila cada vez maiorpossibilita que as bibliotecas se tornem grandes clientes para as editoras”, defende o diretor. Para utilização da plataforma, foram criados aplicativos para iOS, Android, PC e Mac.
 
Árvore de Livros
 
O PublishNews adiantou, no final de janeiro, a criação da Árvore de Livros, capitaneada por Galeno Amorim (ex Fundação Biblioteca Nacional). Ao contrário da Biblioteca Xeriph, a Árvore é focada nas escolas das redes públicas e privadas, mais especificamente nos alunos de ensino fundamental 2 e médio. A plataforma, que deve entrar em operação em março, vai cobrar uma assinatura anual de governos, prefeituras, escolas e empresas para que seus usuários acessem de forma ilimitada por meio de computadores, smartphones e tablets.
 
De acordo com material enviado às editoras e ao qual o PublishNews teve acesso, a expectativa é adquirir acervo inicial de 200 mil e-books para atender mais de 170 mil alunos.O modelo de negócios da Árvore de Livros foi desenvolvido com base em estudos, pesquisas e comparações feitas com modelos existentes no mundo. Foram feitas adaptações à realidade e às peculiaridades do mercado nacional, e levou em conta o perfil e as práticas leitoras vigentes nas bibliotecas e escolas do País. Em resumo, a Árvore adquire pelo preço de mercado pelo menos um e-book escolhido para compor o acervo da biblioteca digital de seus clientes. O livro digital pode ser emprestado de forma simultânea e sua licença de uso expira após 100 empréstimos. Cada vez que um usuário tentar ler um e-book que está emprestado é gerada uma nova compra do produto. Por exemplo, um livro adotado por uma rede de ensino que exija a leitura simultânea de 5 mil alunos. Isso resultará na compra de 5 mil e-book desse título.
 
Relatórios mensais vão servir de guia para acerto com as editoras participantes do projeto. Além disso, a editora pode monitorar online e em tempo real a quantidade de acesso e a leitura de seus títulos, além de ter acesso a dados estatísticos sobre o desempenho e a preferência dos usuários, formando um perfil de seus consumidores. Na apresentação enviada aos editores, há um e-mail pelo qual editoras podem enviar propostas: editoras@arvoredelivros.com.br.
 
Contraponto
 
Para José Castilho Marques Neto, secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), essas iniciativas que começam a aparecer no ambiente digital são muito bem-vindas, mas precisam ser vistas com ressalvas. “Não podemos construir um fetiche em torno dessas questões, nem dizer que são absolutamente importantes e nem dizer que não são importantes”, comenta. Ele defende que, no que tangencia o PNLL, sejam construídos, além de plataformas de acesso a e-books, programas pedagógicos de incentivo à leitura. “Nenhuma biblioteca – seja digital ou física – vai resolver o problema da leitura no Brasil”, comentou.
 
Castilho comenta ainda que não dá para “fazer marketing em cima dessas iniciativas” e conclui: “No fim, pode ser um bom negócio para quem produz, mas não vai ter o efeito desejado se não estiver dentro de um planejamento mais amplo”.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Bibliotech: a primeira biblioteca pública dos EUA sem livros impressos


Para quem não tem acesso à rede, pode visitar a sede física da Bibliotech
Foto: Divulgação



A primeira biblioteca pública totalmente digital dos EUA foi aberta recentemente no condado de Bexar County, no estado do Texas. Agora, todos os 1,7 milhões de habitantes da região podem acessar gratuitamente o acervo com cerca de 10 mil obras. Melhor, para ter acesso aos livros não é necessário se locomover até o prédio físico da biblioteca, basta acessar a internet.

O projeto Bibliotech foi desenvolvido pelo juiz Nelson Wolff, um amante da literatura e colecionador de obras raras, também responsável por levar ao condado uma biblioteca com livros impressos de US$ 38 milhões na década de 1990. A nova empreitada custou apenas US$ 2,4 milhões.

- Eu olho hoje para aquela biblioteca e fico orgulhoso, mas penso: o que vamos fazer com ela? - disse Wolff sobre sua antiga obra, em entrevista ao site CNet.

O prédio físico da Bibliotech se localiza na cidade de San Antonio. Para funcionar durante 8 horas diárias, a biblioteca tem apenas duas funcionárias, as jovens Ashley Eklof e Catarina Velasquez.

- Nós podemos focar nas necessidades da comunidade e não temos que lidar com os processos físicos dos livros – explicou Ashley.

Para ter acesso ao acervo, os moradores do condado podem se registrar on-line e baixar os títulos em seus próprios tablets e computadores. Caso a pessoa não tenha acesso à internet ou precise de leitores, pode se dirigir à sede física da biblioteca.

Estão à disposição da população 800 e-readers, sendo 200 especiais para crianças, 48 computadores, 10 laptops e 40 tablets. Os leitores podem ser emprestados por duas semanas e eles já vão carregados com as obras escolhidas. Caso não sejam devolvidos no prazo, o usuário recebe multa diária de US$ 1 até o 14º dia. A partir de então, o aparelho é dado como perdido e a multa de US$ 150 é adicionada à conta.

A duração do empréstimo dos livros digitais é de 14 dias, mesmo que baixados no leitor próprio do usuário. A partir desse período, a obra é excluída do software utilizado para a distribuição e leitura.

Leia mais sobre esse assunto em O Globo Tecnologia

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Biblioteca Pública digital americana


Criada a DPLA (Digital Public Library of America, sigla para biblioteca pública digital americana), que reuni e compartilha gratuitamente na internet o acervo e obras de milhares de bibliotecas e universidades do país.

O início das atividades envolveu a digitalização de coleções especiais, principalmente as de Harvard. "Temos uma enorme quantidade delas nas 73 bibliotecas da universidade, são mais de 18 milhões de volumes. Estamos escaneando livros, manuscritos e fotografias de diferentes assuntos".


Há acervos sobre mulheres, imigrações e obras sobre doenças epidêmicas, por exemplo; e há coleções históricas importantes, sobre a era medieval e sobre fotografia, com imagens da Lua e da escravidão, como fotos de escravos que nasceram na África e foram levados para os EUA.

O DPLA é liderada agora pelo Diretor Executivo Dan Cohen e guiada por um Conselho de Administração  composto dos principais bibliotecas públicas e de pesquisa, técnicos, acadêmicos de propriedade intelectual, e especialistas em negócios de todo o país.

Conheça mais sobre a biblioteca acessando o seu site: http://dp.la/

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Diretor de Harvard apresenta biblioteca digital gratuita


O historiador americano Robert Darnton, 73, professor da Universidade Harvard (EUA) e diretor da biblioteca da universidade, participou ontem de seminário para jornalistas na Folha.
No encontro, Darnton -que veio ao Brasil para o 4º Congresso Internacional Cult de Jornalismo Cultural- falou sobre o projeto de criação de uma biblioteca digital americana, com acesso mundial e gratuito, que deve entrar no ar em abril de 2013. “É uma oportunidade inédita de compartilhar nossa riqueza de conhecimento.” 
Filho de jornalistas e graduado em Oxford, no Reino Unido, ele é especialista em Revolução Francesa e na história do livro e da imprensa. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão “O Iluminismo como Negócio” (1987) e “Os Best-Sellers Proibidos da França Pré-Revolucionária” (1996), lançados no país pela Companhia das Letras.

Leia, a seguir, trechos de sua conversa com os jornalistas da Folha.

JORNALISMO IMPRESSO


Venho de uma família de jornalistas. Meu pai, minha mãe, eu e meu irmão trabalhamos no “New York Times”. Meu pai morreu no Pacífico cobrindo a Segunda Guerra. Eu não o conheci, tinha três anos.
Comecei minha carreira cobrindo crimes. Na época se dizia: “Se você consegue cobrir assuntos policiais, pode cobrir [os da] Casa Branca”.
A grande questão na vida de um repórter é como narrar uma história em 500 palavras. Ele acaba transmitindo sua experiência. Não vejo notícias como realidade, mas como histórias sobre a realidade.

INTERNET
Nos EUA a mudança é profunda. Quase toda semana um jornal morre. A maior parte da receita publicitária do “The New York Times”, por exemplo, vinha dos classificados. Quase todos esses anúncios estão on-line. Mas acho que os grandes sobreviverão. A questão é descobrir um modelo de financiamento.
O trabalho do repórter também mudou. Continuo achando que o contato pessoal de um repórter com a fonte ou o acontecimento faz uma diferença enorme. Não adianta reproduzir o que está no Twitter ou nos blogs.

BIBLIOTECA DIGITAL
Quando o Google decidiu que queria digitalizar livros, procurou Harvard primeiro, pois é a maior biblioteca universitária do mundo. O Google fez lobby com outras universidades. Eles queriam digitaliza qualquer livro, não só os de domínio público. Criaram uma base de dados gigante de livros cobertos por direitos autorais. A ideia era vender acesso às obras, a um preço que eles próprios estipulariam. Não era algo legal.
No final, o acordo foi vetado pela Justiça, que o viu como uma tentativa de monopólio.
Nesse meio tempo, convidei os dirigentes de bibliotecas para criarmos uma versão digital com milhões de livros, como o Google, mas gratuita.
Acabamos conseguindo financiamento de fundações privadas americanas -muitas vezes elas funcionam melhor do que o governo. Em abril, entra no ar uma enorme biblioteca digital que qualquer um no mundo poderá acessar sem gastar um tostão. Criar essa plataforma para partilhar conhecimento, sem empresas, está sendo a maior oportunidade da minha vida.
Os direitos autorais são um tema sensível. Teoricamente só poderemos disponibilizar obras anteriores a 1923, pois estas estão em domínio público. São 2 milhões, o que não é pouco. As demais precisam ser negociadas com os detentores dos direitos, e estamos estudando alternativas.

AMÉRICA LATINA
Hoje os olhos dos americanos estão voltados para a América do Sul e a Ásia. A nova geração está aprendendo espanhol e mandarim. Não acho que a cultura europeia tenha se exaurido de vez, mas há ventos de mudança, e a vitalidade dos dois continentes tende a ganhar influência.

FUTURO DO LIVRO
As pessoas dizem que os livros e as bibliotecas estão obsoletos. É loucura: temos mais pessoas hoje nas nossas bibliotecas do que nunca. Se o aluno tem que escrever um trabalho e fazer uma pesquisa, claro que ele usa o Google e a Wikipedia. Mas não basta. Ele procura um bibliotecário. Os bibliotecários desenvolveram uma nova função, que é guiar pelo ciberespaço.
As estatísticas contrariam aqueles que dizem que o livro impresso está acabando. Na China, a produção dobrou em dez anos. Em 2009 o planeta atingiu uma marca histórica de 1 milhão de novos títulos impressos no ano. Acho que os livros impressos e on-line não estão em guerra, são suplementares.



sábado, 15 de setembro de 2012

Biblioteca digital de teses do Ibict completa dez anos


A Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) é considerada um dos maiores bases de dados do mundo. Foi a primeira iniciativa do instituto rumo ao acesso aberto à informação científica.

O maior acervo nacional de teses e dissertações, a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), comemora 10 anos de serviço à comunidade. A sua criação foi a primeira iniciativa do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) relacionada ao movimento de acesso aberto à informação científica. A BDTD alcançou recentemente a marca de 200 mil teses e dissertações e se prepara para uma modernização em sua estrutura. Considerada pelo site da Networked Digital Library of Theses and Dissertations (NDLTD) como a segunda maior base de dados do mundo e a primeira em acervo local, a BDTD é exemplo de sucesso e o resultado do esforço de 96 instituições de ensino e pesquisa que atuam para maior visibilidade à produção científica brasileira.

De acordo com a coordenadora-geral de pesquisa e manutenção de produtos consolidados do Ibict, Maria Carmen Romcy de Carvalho, "a BDTD contará, em médio prazo, com mais instituições parceiras. O motivo desse aumento será a modernização que está sendo realizada na base e a validação das teses e dissertações citadas no Lattes, projeto que também está em fase de execução com o CNPq". Ainda, segundo ela, "a BDTD vai certificar as teses e dissertações citadas nos currículos publicados no Lattes. Esse projeto é de grande relevância e, em breve, será disponibilizado para a sociedade", explica.

Os trabalhos de revisão do padrão dos metadados da base e a modernização do software, disponibilizado para a criação de bibliotecas digitais de teses e dissertações locais, já estão em curso, mas ainda passarão por algumas etapas de validação. De acordo com a coordenadora técnica do Laboratório de Metodologias de Tratamento e Disseminação de Informação do Instituto, Bianca Amaro, as instituições de ensino e pesquisa contarão com produtos mais atualizados e treinamento para sua utilização tão logo o novo software seja disponibilizado. "A modernização dessa tecnologia motivará novas instituições a utilizarem a BDTD e isso trará benefícios no sentido de aumentar a visibilidade da produção científica nacional", comemora a coordenadora.

Sobre - A Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) integra, em um único portal, os sistemas de informação de teses e dissertações existentes no País e disponibiliza para os usuários um catálogo nacional de teses e dissertações em texto integral, possibilitando uma forma única de busca e acesso a esses documentos. O Ibict coleta e disponibiliza os metadados (título, autor, resumo, palavras-chave etc.) das teses e dissertações, sendo que o documento original permanece na instituição de defesa. Dessa forma, o conteúdo dos metadados coletados e o acesso ao documento integral são de inteira responsabilidade da instituição de origem.

A BDTD utiliza as tecnologias do Open Archives Initiative (OAI) e adota o modelo baseado em padrões de interoperabilidade consolidado em uma rede de bibliotecas digitais de teses e dissertações. Nessa rede, as instituições de ensino e pesquisa atuam como provedoras de dados e o Ibict como agregador, coletando metadados de teses e dissertações, fornecendo serviços de informação sobre esses metadados, expondo-os para serem coletados por outros provedores de serviços, em especial pela NDLTD.

A BDTD atua em dois níveis de integração. Para instituições que já possuem um repositório de teses e dissertações usando tecnologia própria, o Ibict apoia tecnicamente na implementação do Protocolo OAI-PMH para que opere sobre o repositório local e gere registros de metadados em XML/mtd-br. No caso das instituições que desejam implantar suas bibliotecas digitais e se integrar à BDTD, o Ibict desenvolveu uma solução tecnológica, denominada Sistema TEDE, cujo objetivo é proporcionar a implementação de bibliotecas digitais de teses e dissertações institucionais. O Sistema é distribuído gratuitamente pelo Ibict em um pacote contendo o software, a metodologia de implantação, os manuais operacionais e de usuário, a documentação e treinamento. O Sistema TEDE está disponível para download em http://tedesite.ibict.br.

A ferramenta de busca permite ao usuário consultar o repositório da BDTD e recuperar resultados resumidos ou detalhados, além de ter acesso às teses e dissertações, em texto completo, para leitura, impressão ou download dos arquivos nos repositórios de origem.


(Núcleo de Comunicação Social do Ibict)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

FBN tem mais 140 itens na Biblioteca Digital Mundial


A Fundação Biblioteca Nacional teve mais 140 itens de seu acervo digitalizados e incorporados à Biblioteca Digital Mundial, a World Digital Library, maior e mais ambiciosa biblioteca virtual do mundo. Todos os itens – fotografias de uma expedição científica e comercial russa à China, entre 1874 e 1875 – fazem parte de um álbum que integra a Coleção Thereza Christina Maia, doada à Biblioteca Nacional pelo imperador D. Pedro II. A Biblioteca Digital Mundial é formada por raridades de várias partes do mundo, englobando quase todas as civilizações e culturas. A FBN é uma das parceiras mais importantes do projeto, lançado em 2009. As fotos podem ser acessadas aqui:http://bit.ly/M4U2sC

terça-feira, 10 de julho de 2012

‘Bibliotecas digitais são tesouros escondidos’, diz biblioteconomista da UniRio


Digitalizadas, as bibliotecas no Brasil e no mundo estão deixando os muros físicos para também se hospedarem na internet. Mas isso não significa que elas estão ficando mais acessíveis. Apesar dos milhares de acervos disponíveis on-line, as bibliotecas digitais ainda são consideradas “tesouros escondidos”.

Segundo Moreno Barros, professor de biblioteconomia da UniRio e mestre em ciência da informação, embora o Brasil esteja investindo alto em projetos de digitalizações, esses acervos ainda não estão ao alcance de todos. “Existe uma excessiva preocupação com imagens em alta resolução, por exemplo, um formato que só atende grandes pesquisadores, pessoas que de uma forma ou outra já estariam dispostas a frequentar o acervo localmente. Isso não é algo ruim, mas é fato que o público leigo tem mais facilidade de acesso quando as imagens estão em menor qualidade”.

O processo de digitalização, segundo Barros, implica na necessidade de uma abordagem diferente, com foco em uma escala maior de usuários para “atingir virtualmente uma audiência diferente daquela que já se atinge fisicamente”.

Milhares de pessoas poderiam estar navegando pela Biblioteca Nacional Digital, pelaFrança no Brasil ou pela Brasiliana, algumas das principais bibliotecas digitais do país, que permitem aos usuários acessar de forma virtual e gratuita seus arquivos. “Quase ninguém conhece esses acervos, ou somente uma pequena parcela da comunidade de pesquisa acadêmica”, garante Barros.

Outros bons exemplos de biblioteca digitais seriam a Biblioteca Digital Universidade Gama Filho e a Biblioteca Nacional Digital. A primeira, lançada em 2011 e considerada uma das maiores do Brasil. Seu acervo aberto contém teses e dissertações de quase 1.500 universidades, bibliotecas unificadas de 62 países e artigos de 48 mil revistas científicas disponíveis on-line para qualquer pessoa, gratuitamente. Já a segunda, pertence a Biblioteca Nacional e é tida como uma das precursoras no processo de digitalização de publicações e acesso a obras via internet.

A digitalização de acervos bibliográficos tem sido um método utilizado, principalmente, como forma de preservar os registros históricos, seja de um grande jornal  – como é o caso do Jornal do Brasil, impresso até 2010, e que digitalizou todas as suas publicações; de um periódico local – o centenário jornal Federação, em Itu (SP), que, no ano passado, colocou todo seu acervo na internet –, ou até mesmo a criação de um site para abarcar os cerca 80 mil documentos do cientista Albert Einstein.

Os esconderijos das bibliotecas

Ao pesquisar por uma determinada obra no Google, o sistema de busca tem dificuldade de rastrear as publicações dessas bibliotecas virtuais. Escondidos na internet, os sites das instituições que abrigam grande parte desses acervos virtuais ainda têm navegação precária e softwares não muito amigáveis.

Uma das soluções apontadas por Barros para que usuários encontrem não apenas obras nos acervos digitais, como também nas bibliotecas físicas mais próximas de suas casas, é fazer com que os registros bibliográficos utilizem sistemas de busca mais trabalhados, indexando melhor suas informações na internet.  “Se as bibliotecas abrirem seus dados, o Google vai ranquear não apenas os sites de livrarias famosas, mas vai indicar já na primeira página também as bibliotecas físicas mais próximas as casas dos usuários.”

Segundo levantamento realizado pelo 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, divulgado em 2010, no país existem em funcionamento, uma média de 2,67 bibliotecas municipais por cada 100 mil habitantes no país. Todas elas poderiam ser mais facilmente encontradas se melhor ranqueadas nos buscadores.

Para isso, o especialista afirma que será necessário, por exemplo, abolir sistemas que dificultem o rastreamento, como é o caso do javascript, uma espécie de página HTML que não possibilita interação dinâmica com o usuário, e funciona como se fosse uma imagem, muito utilizado nos softwares de biblioteca.

Outra alternativa apontada por Barros, que facilitaria a vida do usuário que busca por um ranking de bibliotecas, é a criação da versão brasileira do WorldCat, uma das principais redes de bibliotecas do mundo, que indica ao usuário onde encontrar livros, CDs, vídeos, resumos de artigos e versões digitais de itens raros nas bibliotecas mais próximas de suas casas.

Para conhecer as principais bibliotecas digitais brasileiras e internacionais, veja a lista indicada por Barros. O especialista, inclusive, tem um projeto para ajudar pessoas a redescobrir e reaprender o significado das bibliotecas na era do Google e do iPad. Para começar, ele propõe um encontro para ensinar as pessoas a economizar dinheiro usando essas bibliotecas. A proposta está em busca de financiamento, via crowdfunding, na plataforma no Nós.vc.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Manifesto IFLA para Bibliotecas Digitais


RIO – Em sua Conferência Geral de 2011 a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) aprovou o manifesto da Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) para apoiar as bibliotecas digitais. “O Manifesto apresenta princípios para ajudar as bibliotecas digitais na realização de atividades de digitalizações sustentáveis ​​e interoperáveis ​​para atenuar os problemas da exclusão digital – um fator fundamental para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas”, afirma o portal www.ifla.org.

O portal da IFLA informa também que “o Manifesto foi iniciado pela ex-Presidente da IFLA Claudia Lux (2007-2009). Antes da aprovação da UNESCO em outubro de 2011, foi aprovado pelo Conselho de Administração da IFLA em 2010 e pelo programa intergovernamental da UNESCO Informação para Todos (IFAP) em fevereiro de 2011″.
Abaixo a tradução de partes do manifesto:

MANIFESTO DA IFLA PARA BIBLIOTECAS DIGITAIS

Atenuar a exclusão digital é um fator fundamental para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas. O acesso a recursos de informação e aos meios de comunicação apoia a saúde e a educação tanto quanto a cultura e desenvolvimento econômico.

A divulgação de informações capacita os cidadãos a participar na aprendizagem ao longo da vida e da educação. Informações sobre as realizações do mundo permitem que todos participem de forma construtiva no desenvolvimento de seu próprio ambiente social.

Igualdade de acesso ao patrimônio cultural e científico da humanidade é direito de cada pessoa e ajuda a promover a aprendizagem e a compreensão da riqueza e da diversidade do mundo, não só para a geração presente, mas também para as gerações futuras.

As bibliotecas têm sido agentes essenciais na promoção da paz e dos valores humanos. Agora, as bibliotecas operam digitalmente e os seus serviços digitais tornam acessível um novo canal para o universo de conhecimento e da informação, conectando culturas através de fronteiras geográficas e sociais.

Bibliotecas digitais
Uma biblioteca digital é uma coleção online de objetos digitais de qualidade garantida, que são criados ou recebidos e geridos de acordo com princípios internacionalmente aceitos para o desenvolvimento de coleções e acessíveis de uma forma coerente e sustentável, apoiado por serviços necessários para permitir aos usuários recuperar e explorar os recursos.

Uma biblioteca digital é parte integrante dos serviços de uma biblioteca, aplicando novas tecnologias para fornecer acesso a coleções digitais. Dentro de uma biblioteca digital coleções são criadas, geridas e disponibilizadas de tal forma a serem facilmente e economicamente disponíveis para uso de uma comunidade definida ou um conjunto de comunidades.

A biblioteca digital complementa arquivos digitais e as iniciativas de preservação de recursos de informação.

Missão e Objetivos
A missão da biblioteca digital é dar acesso direto a recursos de informação, digital e não digital, de forma estruturada e autorizada e, assim, ser uma ligação de tecnologia da informação, educação e cultura no serviço de uma biblioteca contemporânea. Para cumprir essa missão buscam-se os seguintes objetivos:
  • Apoiar a digitalização, acesso e preservação do patrimônio cultural e científico.
  • Proporcionar acesso a todos os usuários aos recursos de informação recolhidos pelas bibliotecas, respeitando os direitos de propriedade intelectual.
  • Criar sistemas interoperáveis ​​de biblioteca digital para promover padrões de livre acesso.
  • Apoiar o papel essencial das bibliotecas e serviços de informação na promoção de normas comuns e as melhores práticas.
  • Criar a consciência da necessidade urgente de garantir a acessibilidade permanente do material digital.
  • Ligar as bibliotecas digitais de pesquisa de alta velocidade e redes de desenvolvimento.
  • Aproveitar-se da maior convergência de meios de comunicação e papéis institucionais para criar e disseminar conteúdo digital.
Criação de conteúdo, acesso e preservação
A Construção de uma biblioteca digital requer fontes de conteúdo em forma digital, seja digitalizados, ou nascidos de conteúdo digital.

Muitos países criaram programas de digitalização nacional e muitos outros também irão faze-lo, como foi acordado na Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (World Summit on the Information Society). A IFLA apoia e incentiva fortemente ambas as estratégias de digitalização, nacionais e internacionais, bem como iniciativas de bibliotecas sozinhas ou em parcerias. A digitalização permite a criação de coleções virtuais para reunir materiais originários de vários continentes. A digitalização também tem um papel de preservação, no caso de deterioração dos documentos originais e mídia.

Interoperabilidade e sustentabilidade são a chave para a visão de bibliotecas digitais capazes de se comunicar umas com as outras. Bibliotecas digitais que estão em conformidade com acordados padrões e protocolos abertos melhoram, em todo o mundo, a disseminação do conhecimento e acesso.

Implementação do Manifesto
A IFLA incentiva os governos nacionais, organizações intergovernamentais e patrocinadores a reconhecer a importância estratégica das bibliotecas digitais e apoiar ativamente o seu desenvolvimento. Contribuições para programas de digitalização em larga escala servem para tornar os recursos de informação cultural e científica mais amplamente disponíveis, e avanços de iniciativas nacionais e internacionais de biblioteca digital que serão sustentáveis ao longo do tempo.

A legislação específica e apoio financeiro dos governos nacionais e locais são necessários para reduzir o fosso digital e para garantir o acesso sustentável. Qualquer estratégia de longo prazo deve ter como objetivo reduzir o fosso digital e fortalecer o desenvolvimento da educação, alfabetização, cultura – e, acima de tudo – para fornecer acesso à informação.

Criar pontes sobre os fossos da exclusão digital também implica na necessidade de ações das autoridades competentes para incorporar a educação para competência informacional nos currículos da educação e para aumentar a consciência de que muitas informações valiosas do passado não estão na forma digital.

A IFLA incentiva bibliotecas a colaborarem com outras instituições de patrimônio cultural e científico para fornecer de recursos digitais ricos e diversos que dêem suporte à educação e à pesquisa, ao turismo e às indústrias criativas.

A consulta aos proprietários dos direitos e outras partes interessadas é essencial. Designers e implementadores de bibliotecas digitais devem consultar plenamente as comunidades indígenas, cujo tangível e intangível patrimônio cultural propõe-se a digitalizar para garantir que seus direitos e desejos são respeitados. A implementação da biblioteca digital também precisa dar suporte a igualdade de acesso ao conteúdo garantindo as necessidades especiais das pessoas com deficiência.

As autoridades devem estar cientes de que o planejamento ativo para bibliotecas digitais em qualquer nível (nacional, regional e local) deve abranger as seguintes questões:
  • Pessoal treinado;
  • Edifícios e instalações adequadas;
  • Planejamento integrado de bibliotecas e arquivos;
  • Financiamento;
  • Fixação de metas;
  • E-estratégias nacionais, como recomendado pela Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação poderiam estabelecer uma base firme para o planejamento de bibliotecas digitais.

Texto por Hanna Gledyz e Emília Sandrinelli especial para biblioo

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O futuro da biblioteca é digital?

Veja o que dizem os especialistas, entrevistados pela Biblioteca Nacional.


Nos dias 24 e 25 de outubro, a Biblioteca Nacional convidou especialistas de várias partes do mundo para discutir o futuro das bibliotecas, com foco especial nas instituições nacionais de cada país. O seminário Biblioteca Nacional + 200 Anos trouxe ao Rio de Janeiro experts e diretores de Bibliotecas Nacionais para apresentarem experiências atuais e discutir perspectivas para o futuro da informação e seu compartilhamento.

Perguntamos para alguns dos convidados qual seria o futuro da "biblioteca" como instituição de preservação de memória e de oferta de conhecimento ao público. Como a biblioteca do futuro vai administrar a informação digital? Ela vai deixar de ser um espaço físico para se transformar em virtual? Veja o que responderam:

 Paulo Herkenhoff, crítico de arte
Acho que a era digital é uma era que vai ser determinada pelo leitor e pela leitura, mais que pelo objeto. Estar atento ao leitor me parece uma das chaves para o futuro da biblioteca. Se quisermos permanecer como sociedade, nós precisamos de instituições que sejam capazes de representar simbolicamente nossa diversidade, nossos conflitos, nossas diferenças. Quais são as contradições, quais são os conflitos? Tudo isso deve estar dentro dessa instituição. O futuro da biblioteca poderia ser esse lugar onde uma rede de subjetividades se construa como um processo coletivo. Esse lugar é virtual, mas é um lugar com vontade de ser esse lugar e, por isso, exigirá fineza política para que não seja partidário, mas um projeto de estado.

Maria Inês Cordeiro, subdiretora geral da Biblioteca Nacional de Portugal
Embora caminhemos rapidamente para uma parte do acervo estar disponível na internet, nós não diminuímos o número de leitores. Até temos aumentado o número de consultas localmente. E isso contradiz um pouco aquilo que normalmente as pessoas esperam que é “quanto maior for o acervo digital, menor será a procura física, local, na biblioteca”. Tem sido uma experiência importante para nós verificar que não. Uma coisa não invalida a outra. Penso que isso se deve também à grande variedade do acervo e à dimensão enorme do acervo [da Biblioteca Nacional de Portugal]. Não penso que daqui a 50 anos a biblioteca física vai deixar de existir enquanto tal, procurada pelas pessoas, porque nós continuamos a preservar o patrimônio físico e a sociedade quer que continuem a existir os livros fisicamente. Mesmo que estejam digitalizados, haverá sempre uma procura por razões de investigação.

Marco Streefkerk, diretor da DEN Foundation (Dutch Knowledge Center for Digital Heritage)
Houve uma discussão na Holanda sobre o futuro das bibliotecas e não se chegou a uma resposta. Há muitas opiniões sobre como será esse futuro e acho importante que a biblioteca discuta, mas que abra essa discussão para a sociedade. O que é esperado da Biblioteca? Que serviços especiais ela deve oferecer? Ainda acho que as pessoas gostam de estar juntas. Aprender é uma atividade social, não é algo que se pode fazer apenas em casa, na frente do computador.

John K. Tsebe, diretor da Biblioteca Nacional da África do Sul
Os livros estarão sempre aí, por isso devemos preservar o livro de papel. Ao mesmo tempo, devemos garantir a digitalização e o acesso a conteúdo virtual – talvez no sistema de computação em nuvens. É preciso que esse conteúdo seja acessado da forma mais universal possível. Minha visão é que a Biblioteca Nacional como um objeto físico, como uma construção, sempre existirá, porque se você olhar para qualquer país do mundo, a Biblioteca Nacional sempre será a maior biblioteca daquele país, em termos de espaço físico. É o lugar onde as pessoas podem ir, interagir, compartilhar ideias. O formato digital é importante, mas não vai substituir o livro físico. Acredito que devemos promover um equilíbrio entre as obras impressas e as virtuais – as que são digitalizadas ou as que já nascem digitais.

Roberto Aguirre Bello, chefe de coleções digitais da Biblioteca Nacional do Chile
As Bibliotecas Nacionais, como espaço físico, vão continuar existindo, sem dúvida. Muitas pessoas vão sempre preferir consultar os livros impressos, mas as bibliotecas virtuais oferecem algumas soluções, sobretudo para aqueles que desejam consultar obras de lugares remotos e a qualquer momento do dia. No Chile, a recepção aos objetos digitalizados tem sido muito boa e estamos fazendo todos os esforços para, cada vez mais, chegar a diferentes segmentos da comunidade com nossos serviços.

Aquiles Brayer, curador da coleção digital da British Library e consultor da Biblioteca Nacional do Brasil
A biblioteca física vai virar um espaço simbólico e o simbólico vai virar quase o real, que é o virtual. A biblioteca vai ter que oferecer serviços para acesso a conteúdos digitais, disso não se tem nenhuma dúvida, e os objetos que a biblioteca retém em seu acervo vão ficar quase como um instrumento de museu, não exatamente nesse sentido, porque ele ainda vai ser manipulado. Mas com a cópia digital, a biblioteca vai ter que trabalhar cada vez mais na prestação de serviços do que propriamente na formação de acervos. 

Fonte: http://www.bn.br/portal/index.jsp?nu_padrao_apresentacao=25&nu_item_conteudo=2063&nu_pagina=1