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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Encontro na BN discute acesso de pessoas com deficiência à cultura


O 1º Encontro Nacional de Acessibilidade Cultural começou dia 16/4 na Fundação Biblioteca Nacional. O evento vai discutir alternativas para aumentar a participação de pessoas com deficiência física em eventos culturais. O encontro integra o 3º Seminário Nacional de Acessibilidade em Ambientes Culturais, iniciado há três anos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e abre o curso de especialização em acessibilidade cultural da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o primeiro do tipo no país.
Coordenadora do curso e organizadora do evento, a professora Patrícia Dorneles disse que o encontro é uma forma de sensibilizar, capacitar e mobilizar a plateia, formada principalmente pelos 60 alunos do curso da UFRJ, que recebeu inscrições de professores de outras universidades, gestores públicos e integrantes de organizações da sociedade civil. “Se a sociedade necessita dessa qualificação, a universidade pública tem a missão de oferecer essa capacitação para a politica pública estar mais qualificada no sentido do acesso”, disse.

A abrangência da acessibilidade cultural, de acordo com Patrícia, está entre as questões que serão abordadas no evento. “As pessoas ficam com a ideia de que você coloca uma rampa e um banheiro acessível, e isso é acessibilidade cultural. Na verdade, não para aí. Passa pela necessidade, por exemplo, de uma pessoa cega poder admirar uma obra de arte, uma peça de teatro ou um espetáculo de dança e participar de todo o conhecimento das linguagens artísticas, cultural e estética, e usufruir de todas as manifestações da cultura brasileira e outros intercâmbios”, ressaltou.

Para a professora, o curso é uma forma de preparar as próprias universidades, que ainda contam com poucas iniciativas nessa área. “A questão é recente e as universidades ainda não estão preparadas para incluir essa temática na sua formação acadêmica. Por isso, o edital convocava professores universitários para estarem conosco, para que isso se torne um conteúdo de formação universitária”.

A secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg, participou da abertura do encontro e defendeu o engajamento da iniciativa privada na acessibilidade cultural. “É fundamental a participação da iniciativa privada. A gente vai buscar ter uma influência maior nos investimentos da Lei Rouanet, na forma como esses critérios são cumpridos, para que a gente possa garantir que o padrão de acessibilidade comunicacional seja garantido nesses repasses”, disse.

Para Márcia Rollemberg, a acessibilidade cultural avançou bastante no que se refere ao ambiente, mas precisa trabalhar na área de conteúdos. “Os novos ambientes culturais já nascem com a prerrogativa da acessibilidade física. Hoje, a pauta tem que ser a acessibilidade comunicacional, o acesso a conteúdos, aos bens e serviços culturais, aos espetáculos, ao cinema”, ressaltou.

Fonte: Agência Brasil e Blog da BN

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Livro de caririzeiro é adotado para o Vestibular 2014 da UEPB


POR WILKER MUNIZ | 13 ABRIL 2013

A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) apresentou na última quinta-feira a relação dos livros que irão ser adotados no Vestibular 2014 da Instituição e, entre eles, está “Ciço de Luzia”, de autoria do escritor monteirense Efigênio Moura, que também é autor de “Eita Gota!”.
Publicado pela Editora Universitária da UEPB, através do Selo Latus, Ciço de Luzia conta a estória da paixão de Ciço Romão, trabalhadores da Fazenda Macaxeira, e Luzia, filha do patrão. A ficção se dá nos anos 70 e se ambienta no Cariri paraibano, especificamente em Monteiro, Zabelê e Camalaú  O livro tem 286 páginas e todo seu diálogo no “matutês” é acompanhado de um glossário em cada capítulo.

O professor Cidoval Morais, diretor da EDUEPB, disse que estuda a possibilidade de uma segunda reimpressão do livro, já que o mesmo está esgotado desde o ano passado. O autor e a editora disponibilizarão cópias em PDF em seus sites oficiais, que poderão ser baixadas gratuitamente.

Hoje, na Paraíba, somente dois locais comercializam o livro: a Casa Progresso, em Monteiro, e o Engenho Lagoa Verde, onde é fabricada a Cachaça Volúpia, em Alagoa Grande.

Os demais livros que compõem a bibliografia do Vestibular 2014 da UEPB são Clara dos Anjos, de Lima Barreto; Mastigando Humanos,de Santiago Nazarian; e É Proibido Comer Grama,de Wander Piroli.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Cordel paraibano na escola


O vereador de Mari, Gugu Xavier (PTdoB), confirmou na noite desta terça-feira (9), que foi aprovado por unanimidade o Projeto de Lei de sua autoria que inclui na grade curricular da rede pública de ensino do Município o livro “Mari, Araçá e outras árvores do paraíso”, de Fábio Mozart (foto), contando a história da cidade em versos de cordel.

Para o autor, a utilização de fontes da cultura popular nas escolas de ensino fundamental e médio é muito importante para a formação dos alunos. “O uso da literatura de cordel em atividades de disciplinas como História é um caminho para a construção do conhecimento baseado na realidade local e no cotidiano do aluno”, frizou. “Agradeço ao vereador Gugu Xavier pela deferência em ter escolhido meu trabalho sobre Mari para ser o primeiro livro de autor local a fazer parte do currículo escolar do município, cidade onde morei por doze anos e pela qual tenho grande afeição”, complementou Fábio Mozart.

O ensino de Língua Portuguesa manteve a característica elitista até 1967, quando se iniciou no Brasil um processo de democratização do ensino. Com isso, a multiplicação de alunos, as condições escolares e pedagógicas, as necessidades e as exigências culturais passam a ser outras. Passavam a
frequentar a escola um número maior de falantes de variedades do português distantes do modelo tradicional cultivado pela escola. Houve um choque entre modelos e valores escolares e a realidade dos falantes. Nesse contexto, o ensino da Língua Portuguesa procurava novas propostas pedagógicas que suprissem as necessidades trazidas por esses alunos, a presença de registros linguísticos e padrões culturais diferentes do até então admitidos na escola. Entre esses registros, está a literatura de cordel, antes restrita às populações do interior, com pouca ou quase nenhuma instrução formal.

Para Fábio Mozart, Mari é o primeiro município na Paraíba a adotar uma obra cordelesca na grade curricular das suas escolas.  “O fato de a literatura de cordel estar muito direcionada às temáticas sociais torna ainda mais importante a ampliação de espaços para o ensino desse gênero”, acredita ele.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A nova dimensão dos livros e das escolas


A harmoniosa convivência do livro impresso, cada vez mais bonito e lúdico, com o e-book é uma nova realidade do mercado editorial, tornando infrutífera a discussão sobre o risco de extinção do primeiro. As editoras, mais do que nunca, tornam-se provedoras de conteúdos e espaço de produção criativa, no qual interagem autores, ilustradores, tradutores, capistas, designers gráficos, revisores e, agora, os profissionais de TI especializados na elaboração de edições digitais.

Eletrônicos ou impressos, não há livros de qualidade, em todos os gêneros, inclusive os didáticos, sem boas ideias, criatividade e, principalmente, ótimos conteúdos. Considerada essa premissa, o advento do e-book, ao invés de limitante do livro convencional, agrega valor e acrescenta novas experiências. Cria possibilidades instigantes e permite pensar em maior interatividade e na exploração de todo o potencial das plataformas multimídias. Para as novas gerações, sem dúvida, os formatos digitais são muito atrativos e certamente contribuirão para ampliar o número de leitores, um objetivo do mercado a serviço do País, pois somente a democratização do conhecimento permitirá a permanente ascensão socioeconômica da população.

Alguns números referendam esses movimentos propiciados pela tecnologia. Nos Estados Unidos, mais de 10% do mercado são cobertos por livros digitais, significando faturamento de um bilhão de dólares. Isso equivale a cerca de 20% das receitas das editoras norte-americanas. No Reino Unido, aproximadamente 8% das vendas do mercado editorial são referentes ao e-book. Os dados são de 2010.

Com a internet, a informação foi democratizada e a criação estimulada. Esse avanço tem reflexos na produção de livros. O Google calcula que, antes da Web, havia 130 milhões de títulos disponíveis. Depois de seu advento, o número aumentou para 676 milhões. Surgiram novos leitores e autores como resultado das novas possibilidades abertas pelos computadores, tablets e a rede mundial. Tudo isso conspira a favor do livro. Cabe às editoras disponibilizarem ao público versões de qualidade dos livros impressos e dos digitais. As avançadas tecnologias da indústria gráfica e da eletrônica, respectivamente, possibilitam que se atenda às duas vertentes com elevada qualidade.

Para editoras como a nossa, com forte atuação no âmbito do público infantojuvenil, o e-book é ainda mais relevante como mídia para a expansão da leitura. Para essa nova geração de leitores, é muito simples baixar conteúdos da internet por meio de computadores, ou via Apple Store ou Google Play para tablets e celulares. A convergência de mídias, uma realidade já concretizada, também permite ampliar as possibilidades do livro convencional: com o uso da câmera fotográfica do tablet ou do smartfone apontada para as páginas impressas, é possível ver imagens animadas em 3D.

As possibilidades são infinitas, contribuindo para o estímulo à leitura. No caso dos livros didáticos, por exemplo, esses recursos são fantásticos, conferindo vida aos elementos da biologia, a personagens da história e aos fenômenos da natureza, com utilização possível em casa, nas salas de aula e nas bibliotecas. Escolas particulares já estão utilizando os tablets para professores e alunos, agregando aos conteúdos todas as possibilidades de interatividade, pesquisa e informação em tempo real. A adoção do e-book também nas escolas públicas, a partir de 2015, conforme anunciou o governo, é um passo importante para a sua disseminação e também para o avanço da qualidade do ensino no País.

Estamos diante de uma nova e irreversível dimensão do livro. Compete-nos, como editores, prospectá-la com a máxima eficácia, para multiplicar a base de leitores no Brasil.

Fonte: Antonio Luiz Rios, economista e diretor-superintendente da Editora FTD.

CCJ da Câmara aprova projeto de lei que permite biografias não autorizadas


A Câmara dos Deputados aprovou terça-feira (2) proposta que permite a execução de filmes ou publicação de livros biográficos sem a autorização da pessoa biografada ou de sua família. O texto, aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em caráter conclusivo, havia sido aprovado pela Comissão de Educação e Cultura. Agora, a proposta segue para o Senado Federal, exceto se houver recurso para que seja apreciado pelo plenário da Câmara.

O Projeto de Lei 393/11 do deputado Newton Lima (PT-SP) altera o Código Civil (Lei 10.406/02), que só permite esse tipo de livros e filmes biográficos em quatro casos: autorização direta da pessoa exposta; necessidade da administração da Justiça; manutenção da ordem pública; ou consentimento de parente, se a pessoa exposta tiver morrido.

De acordo com o projeto, as chamadas biografias não autorizadas serão válidas para personalidades públicas vivas ou mortas. O assunto atualmente é controverso, uma vez que existe dispositivo na lei resguardando o direito das pessoas a ter a personalidade e a privacidade respeitadas. Atualmente, juízes costumam determinar o recolhimento das biografias não autorizadas assim que o biografado ou sua família recorrem contra a obra.

O relator da matéria na CCJ, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), disse que a medida irá ampliar a liberdade de expressão. “Amplia-se também o exercício do direito à informação pela sociedade brasileira”. Ele observou que as pessoas que se sentirem prejudicadas com as publicações sempre poderão recorrer à Justiça. “Se houver algum abuso de direito, esses casos serão levados ao Judiciário, que vai se pronunciar sobre cada um deles”, disse o petista.

Foi o que aconteceu com o livro Roberto Carlos em Detalhes, escrito por Paulo Cesar Araújo e lançado em 2006 pela Editora Planeta. Em janeiro de 2007, o cantor moveu uma ação judicial alegando invasão de privacidade. Em maio de 2007, decisão da Justiça determinou o recolhimento do livro. Cerca de 11 mil exemplares estavam à venda e a primeira edição de 30 mil livros estava esgotada.

Em abril de 2007, a editora e o jornalista cederam às exigências de Roberto Carlos e se comprometeram a não publicar mais a biografia e o cantor abriu mão de pedir indenização. O autor do livro entrou com recurso, mas o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) manteve proibida a publicação e a venda da biografia em decisão de março de 2009.

Fonte:  Agência Brasil.